Jogo particular

08-09-2013 09:22

Portugal e Brasil, samba de uma nota só

As duas seleções defrontam-se esta terça-feira num encontro de caráter particular que se realiza em Boston.
Portugal e Brasil, samba de uma nota só

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

A história dos embates entre as seleções de futebol de Portugal e do Brasil é uma espécie de samba de uma nota só, com clara superioridade do organizador do Mundial2014, que, paradoxalmente, ainda nunca venceu um jogo "a doer".

Em 19 encontros entre as duas seleções, Portugal perdeu 12, empatou três e venceu apenas quatro, mas os dois únicos de caráter oficial saldaram-se por um triunfo da equipa lusa, por 3-1, na fase final do Mundial de 1966, em que obteve a sua melhor classificação, ao terminar no terceiro lugar, e um empate 0-0 nos grupos do Campeonato do Mundo de 2010.

A seleção portuguesa necessitou de sete anos e seis partidas para conquistar a primeira vitória sobre o Brasil, único país totalista em fases finais de Mundiais e recordista de títulos, com cinco troféus (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), mas a última década parece mostrar uma inversão da tendência dominadora dos "canarinhos", que se traduz também na diferença entre golos marcados e sofridos (36-15 favorável aos sul-americanos).

Desde 2002, Portugal venceu dois jogos, empatou outros tantos - um deles o "nulo" na África do Sul, no Campeonato do Mundo de 2010 - e perdeu apenas um, ainda que sob a forma de goleada, por 6-2, o que atenua o peso dos números do século passado, em vésperas do 20.º embate, em jogo particular marcado para terça-feira, em Boston, nos Estados Unidos.

O primeiro Portugal-Brasil disputou-se há mais 57 anos, a 08 de abril de 1956, no Estádio Nacional, em Lisboa, e foi um prenúncio do que seria a década seguinte: um golo de Ginho foi suficiente para os brasileiros vencerem por 1-0, margem mínima que se repetiu um ano mais tarde, no Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, mas por 2-1, com o avançado Matateu a tornar-se o primeiro jogador português a marcar um golo aos brasileiros.

Cinco dias depois, em São Paulo, o Brasil "puxou dos galões" e bateu a representação lusa por 3-0, seguindo-se um interregno de cinco anos, até 1962. Laureado com o título mundial conquistado em 1958 e em "trânsito" para o revalidar no campeonato de 1962, o Brasil venceu a jornada dupla frente a Portugal, mas de novo de forma tangencial, por 2-1, com tentos de Garrincha e Zequinha, aos quais respondeu Mário Coluna, e por 1-0 três dias mais tarde, graças a um dos muitos remates certeiros de Pelé.

Após cinco desaires, a equipa das “quinas” alcançou o primeiro triunfo a 21 de abril de 1963, impondo-se por 1-0 à bicampeã do Mundo no Estádio Nacional, cabendo a José Augusto a honra de selar uma vitória histórica, que só voltou a ter reedição em 1966, depois de mais uma derrota pesada, por 4-1, com o golo português a ser concretizado, de novo, por Coluna, e um empate 0-0.

O segundo sucesso foi um dos mais estrondosos do futebol nacional: a 19 de julho de 1966, em pleno Mundial de 1966, realizado em Inglaterra, Portugal deu-se a conhecer ao Mundo pela mão de Eusébio, impedindo o Brasil de chegar ao "tri" ao deixar os "canarinhos" pela fase de grupos com um triunfo na última jornada por 3-1, em Liverpool, com dois golos do "Pantera negra" e outro de Simões.

O "colosso" sul-americano pareceu ter aprendido a lição e foram precisos quase 37 anos para que uma seleção portuguesa voltasse a festejar novo êxito. Pelo meio, Portugal sofreu cinco derrotas, entre as quais a final da Mini Copa, em 1972, além de duas goleadas por 4-0, até ao empate 1-1 no Estádio José Alvalade, em 2002, que marcou o início de uma nova era nos embates luso-brasileiros.

Portugal venceu os dois particulares seguintes, no ano seguinte, no Porto, por 2-1, sob o comando técnico de um brasileiro - Luiz Felipe Scolari -, com golos de Pauleta e do brasileiro naturalizado português Deco, e por 2-0, em 2007, em Londres, ainda com Scolari como selecionador, graças aos remates certeiros de Simão e Ricardo Carvalho.

A única derrota lusa neste período surgiu no ano seguinte e de forma concludente, por 6-2, de pouco valendo os golos de Danny e Simão Sabrosa - só o brasileiro Luiz Fabiano marcou três -, já com Carlos Queiroz no comando técnico nacional, que obteve um resultado bastante melhor em 2010, na fase de grupos do Campeonato do Mundo, ao empatar 0-0, no segundo encontro "a sério" com o Brasil, que dessa forma continuou sem vencer Portugal em jogos de caráter oficial.

Conteúdo publicado por Sportinforma com Lusa