Óbito/Moniz Pereira

02-08-2016 17:58

Cerca de meio milhar de pessoas prestaram última homenagem a Moniz Pereira

Debaixo de um calor tórrido, cerca de 500 pessoas despediram-se de Moniz Pereira.
Cerimónias fúnebres de Moniz Pereira
Foto: Lusa

Cerimónias fúnebres de Moniz Pereira

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

O presidente do Sporting entrou hoje no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, pelas 15:25, antecipando a chegada do carro com a urna de Moniz Pereira, vulto do desporto nacional que faleceu no domingo, com 95 anos.

Bruno de Carvalho foi cumprimentado por dezenas de adeptos ‘leoninos’ e ficou à entrada do cemitério à espera do cortejo fúnebre, que partiu da igreja de São de Deus, na Praça de Londres, passou pelo Estádio de Alvalade e seguiu para o Alto de São João, a última morada de Moniz Pereira.

Debaixo de um calor tórrido, cerca de 500 pessoas, entre familiares, dirigentes, figuras da música e da cultura, antigos atletas, amigos, jornalistas e cidadãos anónimos.

Todos quiseram prestar uma derradeira homenagem aquele que, como tão bem explanou Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, foi o último bastão do ecletismo em Portugal, o Senhor Desporto no verdadeiro sentido da palavra.

A urna seguiu em passo lento até à zona do forno crematório, sob fortes aplausos dos presentes. Alguns sócios do Sporting, mais idosos, lamentavam a ausência dos associados mais jovens. "Isto é só velhos", proclamaram num tom crítico, mas respeitoso.

Antigos atletas, como Fernando Mamede, Fernanda Ribeiro e Armando Aldegalega, punham a conversa em dia enquanto esperaram solenemente pela entrada da urna de Mário Moniz Pereira, carinhosamente tratado por ‘professor’, até por Naide Gomes, que ainda teve paciência para contar alguns episódios engraçados que ainda viveu com o ‘Senhor Atletismo’.

Como acontece em todos os funerais, mesmo entre as pessoas mais famosas, formaram-se rodas a recordar o grande Mário Moniz Pereira, a evocar o seu elevado caráter, vasta cultura desportiva e a defesa inabalável do ecletismo.

"Ele não era contra o futebol. Mas foi uma grande barreira aos que, mesmo dentro do Sporting, tentaram destruir as modalidades", frisou, impiedoso, um antigo dirigente sportinguista.

O fadista Carlos do Carmo embalava a conversa num tom de grande cumplicidade com outras personalidades da música e do desporto, que quiseram seguir Moniz Pereira até à sua derradeira morada.

Portugal, além de ter perdido o Senhor Desporto, também perdeu um grande compositor e artista do fado.

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