CAN'2012
Zâmbia homenageia a sua seleção de 1993
A seleção finalista da CAN'2012 prestou uma sentida homenagem aos jogadores que morreram em 1993, num trágico acidente aéreo.
Numa cerimónia simples mas muito emotiva, os jogadores zambianos prestaram homenagem aos que morreram no acidente de 1993 no Gabão. Ontem à tarde, assim que chegaram ao aeroporto de Libreville, fizeram o percurso até ao local do acidente, numa praia onde há 19 anos caiu o avião que transportava a comitiva zambiana para o Senegal. Todos os 30 ocupantes, 25 passageiros e cinco membros da tripulação, morreram.
Kalusha Bwalya, agora Presidente da Federação e que na altura jogava no Feyenoord, da Holanda, viajava noutro voo. Foi o único que sobreviveu daquela que era a melhor seleção zambiana de todos os tempos. Bwalya esteve juntamente com os jogadores, numa cerimónia carregada de emoção:
«Não é coincidência estarmos aqui hoje, trabalhamos muito como equipa. No entanto, estou convencido de que os nossos irmãos que deixaram aqui a sua vida há 19 anos, ajudaram-nos a chegar até aqui. Em 1993 os Chipolopolos vieram aqui para cumprir uma promessa mas não conseguiram. Em vez disso, deram as suas vidas por uma causa nobre. O sonho de levar a glória ao nosso país, a Mãe Zâmbia, é o mesmo que nos traz hoje aqui. A única diferença é que nós estamos vivos e os meus colegas já não estão entre nós.»
«É por isso que digo aqui, em nome de todos nós que estamos envolvidos no futebol zambiano que os seus sonhos são os nossos sonhos, eles estão a sorrir no céu ao ver-nos a jogar este torneio no Gabão. Rezo para que suas almas descansem em paz e que Deus nos dê forças e coragem para cumprir os nossos sonhos... e os deles também», acrescentou.
Na cerimónia, Bwalya, os jogadores e o técnico Hervé Renard cantaram um hino fúnebre, tradicional da Zâmbia. Depois depositaram na praia onde se deu o acidente 30 flores, uma para cada pessoa que morreu. De seguida os jogadores acompanharam o capitão Christopher Katongo numa oração.
Para se ter uma ideia da importância da cerimónia, nenhum jogador usava auriculares ou telemóveis ou dispositivos multimedia que os futebolistas costumam ter quando estão em estágios ou em viagens.
Na cerimónia esteve também o Ministro zambiano dos Desportos. «A nossa vinda ao Gabão... acho que é um sinal. Deus quis que fosse assim para que pudéssemos vir aqui jogar e vencer a Taça de África para os nossos heróis. Para aqueles que morreram, nunca serão esquecidos. 19 anos depois voltamos aqui para prestar-vos uma justa homenagem e dizer-vos obrigado por tudo o que fizeram pela Zâmbia», disse Chishimba Kambwili, Ministro dos Desportos da Zâmbia.
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