Ciclismo

08-08-2016 18:40

LA-Antarte deixa ciclismo por recear escândalos de doping

A equipa foi quarta classificada na Volta a Portugal.
78ª Volta a Portugal em Bicicleta
Foto: Lusa

LA-Antarte deixa a modalidade

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

A LA-Antarte vai deixar o ciclismo profissional, na sequência da suspensão da atividade do seu diretor desportivo, Mário Rocha, que assumiu hoje o receio de a modalidade estar a regressar ao passado dos escândalos de doping.

“A verdade é que, atualmente, o responsável da LA-Antarte teme que o ciclismo esteja a caminhar para novos escândalos, como os ocorridos em 2008, quando se registou a intervenção e buscas da Polícia Judiciária. Mário Rocha lembra ainda que no caso de 2009, a Liberty Seguros acabou por retirar o seu apoio à equipa, após a descoberta de três escândalos de doping, incluindo o vencedor da Volta a Portugal”, lê-se no comunicado da formação de Paredes.

Mário Rocha é presidente do Clube de Ciclismo de Paredes e diretor desportivo da formação LA-Antarte, quarta classificada coletivamente na 78.ª Volta a Portugal em bicicleta, que terminou no domingo, com o triunfo do português Rui Vinhas (W52-FC Porto), sob o comando de Nuno Ribeiro, cujo triunfo na Volta de 2009 foi retirado por doping.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, Mário Rocha recordou que “pessoas envolvidas nos escândalos de 2008 e 2009 voltaram ao ciclismo nos últimos anos” e que “tal acontece devido à falta de firmeza da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), que parece apostada em que a modalidade volte ao passado”.

“Perante este cenário, adianta que não estão reunidas as condições para continuar na modalidade, nem como diretor desportivo, nem como presidente do Clube de Ciclismo de Paredes. Como é óbvio, esta tomada de posição leva a que a equipa profissional da LA-Antarte abandone o pelotão nacional”, refere o comunicado, realçando que “estão em causa valores como o rigor e a disciplina que devem, para além da obrigatória verdade desportiva, nortear a modalidade”.

Um dia depois do final da Volta a Portugal, em que Amaro Antunes foi o corredor mais bem classificado da equipa, com o sexto lugar da geral, Mário Rocha justificou a decisão com a passividade federativa. “Já no final da época transata, numa reunião com a FPC, dei conta, junto do presidente e dos restantes dirigentes, do meu desagrado quanto à forma como a modalidade estava a ser conduzida. Na mesma altura alertei para que se nada mudasse eu abandonaria o ciclismo”, sublinhou Mário Rocha.

No comunicado, Mário Rocha, que integra o pelotão há mais de 15 anos, assumiu a sua intenção de não regressar à modalidade enquanto não houver mudanças profundas, finalizando com um agradecimento à equipa que liderou, aos patrocinadores e parceiros, assegurando que “este é o momento para abandonar o ciclismo, de consciência tranquila e cabeça levantada”.

Conteúdo publicado por Sportinforma