Volta a Itália

23-05-2017 19:12

'Paragem de emergência' de Dumoulin relança luta pela camisola rosa

Tom Dumoulin tornou-se o protagonista da etapa rainha desta Volta a Itália, ao parar, a cerca de 33 quilómetros da meta, para satisfazer necessidades fisiológicas.
Giro: Tom Dumoulin vence contrarrelógio e veste camisola rosa
Foto: EPA/ALESSANDRO DI MEO

Dumoulin, ciclista holandês

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

O azar voltou hoje a perseguir Tom Dumoulin (Sunweb), com o ciclista holandês a perder cerca de dois minutos para os principais adversários na etapa rainha do 100.º Giro, conquistada magistralmente pelo italiano Vincenzo Nibali (Bahrein Merida).

Eterno ‘azarado’ do pelotão, Dumoulin eclipsou o esforço de Mikel Landa (Sky), que passou largos quilómetros na frente, mas que foi superado, no risco de meta, por um traiçoeiro Vincenzo Nibali, e tornou-se o protagonista da etapa rainha desta Volta a Itália, ao parar, a cerca de 33 quilómetros da meta, para satisfazer necessidades fisiológicas.

A imagem do camisola rosa, aflito, a despir-se apressadamente para resolver um problema intestinal, ficará na memória de todas, nem que seja porque, devido a esse embaraçoso episódio, o corredor da Sunweb descolou do grupo de favoritos, perdendo 2.17 minutos para o vencedor da 16.ª tirada, e ficou com Nairo Quintana (Movistar), que hoje foi terceiro a 12 segundos do duo ítalo-espanhol, a apenas 31 segundos.

O azar de Dumoulin, que em 2015 caiu de primeiro para sexto na Vuelta no penúltimo dia e que abandonou o Tour devido a quedas nas duas últimas edições, foi o momento verdadeiramente decisivo dos demolidores 222 quilómetros entre Rovett e Bormio, que incluíram uma subida aos míticos Mortirolo e Stelvio, de categoria especial, e ao Umbrail Pass, uma primeira categoria, que fez os acertos finais na geral, antes dos 19,5 quilómetros sempre a descer até à meta.

Antes desse momento, era Landa, em fuga desde os quilómetros iniciais, o principal foco de atenção da tirada. O espanhol, que desde que foi terceiro no Giro2015 se tornou num ‘figurante’ do pelotão e que nesta edição viu as suas aspirações hipotecadas devido a uma queda causada por uma moto da polícia, quis registar o seu nome na Cima Coppi, o ponto mais alto desta edição (2.758 metros), tendo coroado em solitário o topo.

Desgastado, o ciclista da Sky foi perdendo fulgor na subida final, uma escalada por outra vertente do Stelvio, e viu como um restrito grupo, composto por Nibali, Quintana, o italiano Domenico Pozzovivo (AG2R), que seria quarto a 24 segundos, e o russo Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), quinto a 34, anulou as diferenças na descida até á meta.

Momentaneamente colados, os cinco acabariam por se separar graças à exibição de Nibali, que fazendo jus à fama de maior especialista a descer do pelotão, ficou isolado na frente, apenas com Landa na roda.

E, quando parecia que o campeão do Giro2016 iria ‘oferecer’ a vitória na etapa ao seu antigo companheiro da Astana, o ‘Tubarão do Estreito’ voltou a demonstrar o seu apetite devorador, ‘sprintando’ para o sétimo triunfo em etapas, o primeiro de um italiano nesta edição, consumado em 6:24.22 horas, diante de um frustradíssimo corredor da Sky.

Os segundos amealhados para a concorrência permitiram a Nibali saltar para o terceiro lugar da classificação geral, a 1.12 minutos de Dumoulin, que tem agora Quintana a apenas 31 segundos. Aparentemente arredado da discussão pela ‘maglia rosa’, está o francês Thibaut Pinot (FDJ), que foi 10.º, a 1.35 minutos, e é quarto da geral, a 2.38.

Na quarta-feira, a 17.ª etapa vai unir Tirano a Canazei, uma ligação de 219 quilómetros, que propõe subidas a Aprica e Paso del Tonale e que terminará com uma descida de um quilómetro.

Conteúdo publicado por Sportinforma