Tour 2017

16-07-2017 18:58

Froome entrou em pânico, mas agarrou-se à amarela

A 15.ª etapa foi ganha pelo fugitivo holandês Bauke Mollema (Trek-Segafredo), mas salvou o dia e a amarela da Volta a França em bicicleta.
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Chris Froome em ação

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Chris Froome (Sky) viveu hoje momentos de grande ansiedade no decurso da 15.ª etapa, ganha pelo fugitivo holandês Bauke Mollema (Trek-Segafredo), mas salvou o dia e a amarela da Volta a França em bicicleta.

Uma avaria da roda traseira, quando a corrida seguia lançada por obra da AG2R-La Mondiale de Romain Bardet, poderia ter custado a amarela ao ciclista britânico, mas a pronta ajuda dos seus companheiros evitou a ‘desgraça’ do líder da Sky.

“Entrei um bocado em pânico. Pensei que, talvez, não conseguisse reentrar no grupo. Pensei que eles [Bardet e Fabio Aru] iriam atacar, tentar ganhar o máximo tempo possível antes do contrarrelógio de Marselha. Neste momento, estamos contentes com a amarela e por irmos ter um dia de descanso”, reconheceu após cortar, são e salvo (e sem perder tempo), a meta, mais de seis minutos depois do vencedor Bauke Mollema.

Com quatro contagens de montanha, duas das quais de primeira categoria, no percurso, os 189,5 quilómetros entre Laissac-Sévérac l'Église e Le Puy-en-Velay eram ideais para todos aqueles que querem ganhar uma etapa no Tour e não conseguem fazê-lo ao ‘sprint’, nas montanhas ou nos contrarrelógios.

Tendo em conta que a maioria do pelotão se insere nesta categoria, não é de estranhar que, depois de várias constituições, a fuga do dia tenha integrado 28 ciclistas, entre os que se destacavam os virtuosos Tony Martin (Katusha Alpecin), Thomas De Gendt e Tony Gallopin (Lotto-Soudal), Thibaut Pinot (FDJ), Michael Matthews e o camisola da montanha Warren Barguil (Sunweb), Primoz Roglic (LottoNL-Jumbo), Lilian Calmejane (Direct Energie) ou Mollema.

Depois de se unirem ao quilómetro 60, os fugitivos conseguiram uma vantagem sobre o pelotão que rondou quase sempre os oito minutos, até ao momento em que Martin, em ritmo de contrarrelógio, trocou os companheiros de jornada por aquilo que mais gosta: uma luta, em solitário, contra o tempo e contra os quilómetros.

O alemão entrou no sopé do ‘col’ de Peyra Taillade com mais de um minuto de avanço sobre o grupo, mas perdeu-o durante os 8,3 quilómetros da subida, sendo apanhado por Barguil a três quilómetros do topo. Mas, nesse momento, quase ninguém se apercebeu da mudança na frente de corrida, nem do ataque de Mollema, porque lá atrás a camisola amarela de Froome perigava.

Na descida que antecedeu a última contagem 1.ª categoria, a AG2R de Romain Bardet acelerou e provocou um corte no grupo de favoritos. Se Fabio Aru (Astana), Rigoberto Urán (Cannondale-Drapac), Dan Martin (Quick Step-Floors) e Mikel Landa rapidamente se juntaram ao comboio da equipa francesa, o mesmo não aconteceu com o líder da Sky.

Com um problema na roda traseira, Froome foi rebocado por Mikel Nieve e acabou mesmo por parar, com Michal Kwiatkowski a dar-lhe a sua roda. Primeiro com ajuda, e depois a solo, e sob os assobios insistentes dos espetadores franceses, o camisola amarela conseguiu recuperar de uma desvantagem que chegou a rondar os 50 segundos.

O último obreiro da reintegração do tricampeão foi, ironicamente, Landa, que recebeu ordens da equipa para descair do grupo e para levar o líder à companhia dos seus rivais da geral. Seguiu-se um período de acalmia entre os candidatos, enquanto na frente os fugitivos tentavam caçar, sem sucesso, o holandês da Trek-Segrafredo, que cortou a meta isolado, com o tempo de 04:41.47 horas, para festejar a sua primeira vitória na prova francesa.

Mollema, que deixou o italiano Diego Ulissi (UAE Team Emirates) e o francês Gallopin a 19 segundos, reconciliou-se assim com o Tour, depois de no ano passado ter caído na antepenúltima etapa, quando era segundo da geral.

"Nos últimos anos, corri pela geral. Desta vez, vim com a ideia de ganhar uma etapa”, explicou o sétimo classificado do último Giro.

Com a etapa entregue, restava aos homens da geral lutar por segundos. E foi Dan Martin, em mais uma demonstração de valentia, o único a consegui-lo: o irlandês ‘roubou’ 14 segundos aos outros candidatos, que demoraram mais 06.25 minutos do que o vencedor, e trocou de posições com Landa, sendo agora quinto, a 01.12.

Ao segundo dia de descanso, os quatro primeiros da geral continuam separados apenas por 29 segundos - Aru está a 18 segundos de Froome, Bardet a 23 e Urán a 29. Já Nairo Quintana (Movistar) está completamente descartado, depois de hoje ter perdido mais de quatro minutos para os rivais e ter descido a 11.º, a 06.16 minutos do homem que secundou no pódio em 2013 e 2015.

Tiago Machado, que hoje chegou no ‘grupeto’, vai passar o último momento de descanso da 104.ª edição no 76.º lugar da geral, a 01:46.29 horas do camisola amarela.

Conteúdo publicado por Sportinforma