Desporto

31-08-2016 15:55

Morreu Luís Bastos, um dos melhores futebolistas cabo-verdianos de sempre

Em Cabo Verde, jogou em equipas como Académica, Boavista, Sporting, Travadores e Vitória, todas da Praia.
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Foto: GASPAR CASTRO / SAPO Desporto

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Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

O antigo futebolista cabo-verdiano Luís Bastos, considerado por muitos como o maior de sempre no país e que chegou a treinar no Benfica, morreu hoje, na cidade da Praia, aos 75 anos, confirmou à agência Lusa fonte familiar.

Segundo a mesma fonte, a antiga glória do futebol cabo-verdiano, que já se encontrava numa cadeira de rodas, dada à sua dificuldade de locomoção, morreu hoje de manhã vítima de doença prolongada.

Considerado por muitos como um dos melhores goleadores de sempre do futebol cabo-verdiano, Luís da Silva Bastos disse, em entrevista à Inforpress, no ano passado, que marcou mais de 300 golos.

Em Cabo Verde, jogou em equipas como Académica, Boavista, Sporting, Travadores e Vitória, todas da Praia.

Teve ainda uma passagem pelo Benfica para treinos, em 1966, mas não chegou a jogar pela equipa de Lisboa, tendo regressado a Cabo Verde no mesmo ano, alegando dificuldades de adaptação ao país europeu e ao profissionalismo.

Nessa altura, no clube da Luz, treinado pelo húngaro Bela Guttmam, destacavam jogadores como Eusébio e Mário Coluna.

Luís Bastos deixou de jogar futebol aos 40 anos, no início dos anos 1980, e como treinador orientou equipas como o Desportivo de Santa Cruz, Nô Pintcha da Brava e Boavista da Praia.

Em 1995, a Câmara Municipal da Praia, então presidida por Jacinto Santos, atribuiu o seu nome ao Estádio da Várzea, mas o nome foi retirado depois, por este ter cometido um crime de desvio de fundos, tendo cumprido pena de prisão.

Desde então, praticamente que caiu no esquecimento da comunidade desportiva cabo-verdiana e, depois de sair da prisão, passou a viver num bairro periférico da cidade da Praia com os filhos.

No ano passado, Luís Bastos foi condecorado pelo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, com a primeira classe da ordem de mérito.

Jorge Carlos Fonseca, que está com o mandato suspenso por ser candidato nas eleições Presidenciais de 02 de outubro, escreveu hoje na sua página pessoal no Facebook que a notícia do falecimento de Luís Bastos o "abala profundamente".

"Dão-me agora uma notícia que me abala profundamente: faleceu Luís Bastos. Desapareceu o grande mago da bola, o ‘Luigi’, o nosso ‘Pélé’, o grande ídolo da infância e da adolescência", escreveu o Chefe de Estado com mandato suspenso.

Jorge Carlos Fonseca salientou que o antigo futebolista não terá potenciado tudo o que poderia ter oferecido e mostrado, por vezes por motivos aparentemente menores, e considerou que o país desportivo não lhe reconheceu o que ele mereceria.

"Luís Bastos, a figura mítica do futebol, com a sua genialidade e os seus mistérios, com o seu perfume ímpar e também as suas ‘manias’, mas, sobretudo, um jogador como muito poucos pôde ter Cabo Verde", descreveu.

Luís da Silva Bastos nasceu em 1941 no atual concelho dos Órgãos, mas que na altura pertencia ao concelho da Praia. Era irmão de Funa Bastos, outro antigo jogador cabo-verdiano.

Segundo a fonte familiar, o funeral de Luís Bastos deverá ser realizado na quinta-feira.

Conteúdo publicado por Sportinforma