Angola

20-01-2010 13:37

Ataque da FLEC pode ter tido também como alvo Mundial da África do Sul

O líder parlamentar do MPLA, Bornito de Sousa, alertou hoje no Parlamento angolano para a possibilidade de o ataque da FLEC à comitiva do Togo em Cabinda, no dia 08 de Janeiro, ter visado também o Mundial da África do Sul.
Ataque da FLEC pode ter tido também como alvo Mundial da África do Sul

Por Sapo Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Dirigindo-se aos deputados no início da votação da nova Constituição de Angola na especialidade, Bornito de Sousa alertou para a possibilidade de “o ataque terrorista contra a equipa do Togo não ter visado apenas a anulação do CAN2010 em Angola. Pode ter visado mesmo o Mundial da África do Sul”.

A equipa do Togo acabou por abandonar o CAN2010 depois do ataque de que foi alvo por guerrilheiros da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), na zona de Massabi, quando se dirigia por terra para a cidade de Cabinda, onde estava sediado o seu grupo na mais importante prova desportiva do continente africano.

O ataque foi reivindicado primeiro pelas Forças de Libertação do Estado de Cabinda - Posição Militar (FLEC-PM) liderada por Rodrigues Mingas, que é cidadão francês, originário de Cabinda, e residente naquele país e, depois, pela ala militar da FLEC, tendo a ala política deste movimento negado qualquer envolvimento.

Nos dias seguintes ao ataque, o Governo angolano avançou com um protesto diplomático à França, exigindo que os “terroristas” da FLEC sejam catalogados internacionalmente como uma “organização terrorista” e que sobre eles a comunidade internacional actue como actua nos casos da Al-Qaida ou da ETA, em Espanha.

Nesta intervenção no Parlamento angolano, o dirigente do MPLA, partido no poder, saudou a “pronta reacção do Governo (angolano)” e disse acreditar que “a França vai cooperar rapidamente na captura e identificação da rede terrorista com base no seu território a fim de não se tornar co-responsável por omissão ou negligência com o que ‘essa gente’ possa estar a planear a partir de território francês”.

Na mesma ocasião, Quintino Moreira, líder da Nova Democracia, partido que é comummente conotado como próximo do MPLA, referiu-se também a este assunto.

“Juntamos a voz a todos os que condenaram este acto ignóbil. Ressalvamos o facto de um país como a França, com quem Angola desenvolve as mais cordiais relações diplomáticas, de cooperação e amizade, continuar a acolher no seu território os lideres que reivindicaram a partir da França o ataque contra a selecção do Togo”, disse.

Quintino Moreira pediu a Paris que “deporte os líderes da FLEC para Angola onde devem ser julgados”.

Logo nos dias subsequentes ao ataque da FLEC, as autoridades judiciais angolanas anunciaram a detenção de dois suspeitos e, na última semana, cinco cidadãos de Cabinda, incluindo um padre, um professor universitário e um advogado, foram detidos em Cabinda por alegados crimes contra a segurança do Estado.

O procurador provincial de Cabinda, António Nito, afirmou que apenas as primeiras duas detenções estão relacionadas com ataque, enquanto as restantes três estão relacionadas com “outros factos”, que não especificou.

Organizações internacionais como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch já apelaram às autoridades angolanas para que o ataque à selecção do Togo não sirva de pretexto para detenções arbitrárias em Cabinda.