Nando na hora do adeus

04-02-2013 08:27

«Quero Cabo Verde qualificado para um Mundial»

Jogador de 34 anos deixa seleção cabo-verdiana, ao fim de 13 anos.
«Quero Cabo Verde qualificado para um Mundial»

Por Evandro Delgado, em Porth Elizabeth sapodesporto@sapo.pt

Nando já não vai vestir a camisola de Cabo Verde. O até agora capitão dos Tubarões Azuis anunciou o fim da sua carreira de internacional, depois de treze anos ao serviço da seleção cabo-verdiana.

Na hora do adeus, Nando elege o jogo dos quartos-de-final do CAN´2013 como aquele que mais lhe “doeu”. «A derrota com o Gana foi o momento mais doloroso da minha carreira na seleção. Foi a derrota que mais me marcou nos treze ano com a seleção de Cabo Verde», disse, numa entrevista exclusiva ao SAPO Desporto em Porth Elizabeth, antes do regresso a Cabo Verde.

O número seis da seleção crioula é dos jogadores mais respeitados em África. A sua forma de estar em campo já lhe valeu inúmeras distinções de Jogador Fair-Play. Mas no início da carreira, o comportamento do defesa central não era esse.

«Tenho de agradecer, em primeiro lugar, a João de Júlia, o meu treinador no Castilho de S. Vicente. Dantes era muito temperamental mas ele incutiu-me o profissionalismo, disse-me que tinha de mudar. Também tenho de agradecer ao malogrado Alexandre Alhinho [Carlos Alexandre Alhinho], que muito me ajudou nesse aspeto e que me marcou muito», afirmou Nando.

De todas as pessoas com quem Nando se cruzou no futebol, há um que tem um “cantinho” diferente no coração do jogador cabo-verdiano: «Mas também quero agradecer ao Armandim Soares, que foi o meu “pai de futebol”. Foi das pessoas que mais ajudou na minha carreira. Mando-lhe um grande abraço», disse, em jeito de agradecimento.

O jogador elege os seus colegas Heldon, Djanini, Ryan Mendes e Dady, como os avançados que mais trabalho lhe deram ao longo dos anos. Na próxima convocatória, o nome de Nando não estará na lista de Lúcio para o jogo com a Guiné Equatorial. O jogador nem sabe como irá reagir.

«Os treinadores-adjuntos Beto, Bera e Bubista, todos eles têm tentado convencer-me a ficar. Todos puxam por mim, o Bubista lembra-me do momento em que ele me passou a braçadeira de capitão e o número seis na seleção e como isso foi duro para ele. O mesmo número e a mesma braçadeira que entrego agora ao Marco Soares. Dói sair assim, deixar os amigos, com quem convivi durante estes anos todos», disse o central do Chatearoux de França.

Com a saída de Nando, Marco Soares passa a ser o capitão dos Tubarões Azuis. O central avisa desde já que não vai dar descanso ao médio: «Marco, vou-te chatear sempre. O teu compromisso é carregar “esta cruz”, carregar esta equipa para algo maior. Sei que vamos estar nas próximas Taças das Nações Africanas. Mas o teu compromisso é levar esta equipa a um Campeonato do Mundo. Força e coragem, meu amigo, mas eu quero um Mundial». 

Nando não se vê a ser treinador de futebol quando terminar a carreira de futebolista. O jogador quer ajudar como 12º jogador, como mais um adepto da seleção cabo-verdiana.

Fernando Neves, mais conhecido por Nando, estreou-se na seleção cabo-verdiana em 2000, num amigável com o Senegal. Esteve pré-convocado para a Taça Amílcar Cabral em 1999 mas acabou por não ser integrado nos 23 eleitos. Depois de treze anos ao serviço da seleção de Cabo Verde, o central de 34 anos diz adeus aos Tubarões Azuis, com um sonho cumprido: estar numa fase final de um CAN.