Mundial 2014

16-08-2010 16:52

Brasileiros contra gastos públicos nos estádios

Segundo a imprensa brasileira, o problema está no interesse da iniciativa privada para contribuir na renovação, que é ainda residual.
Brasileiros contra gastos públicos nos estádios

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

A maioria dos brasileiros não quer dinheiro público na construção e reforma dos estádios para o Mundial de futebol de 2014, a disputar no Brasil, segundo uma sondagem divulgada pelo Instituto Datafolha.

De acordo com a notícia impressa no jornal Folha de São Paulo, o levantamento nacional do Datafolha, que ouviu 10.856 pessoas em 382 municípios, revela que 57 por cento da população brasileira rejeita o uso de dinheiro dos impostos para esse fim.

Os defensores de uso das verbas públicas para os estádios do Mundial representam 37 por cento dos entrevistados, enquanto sete por cento não souberam opinar.

A sondagem foi realizada entre os dias 9 e 12 de Agosto.

O custo actual para as obras em 11 estádios do Mundial é de 5,1 mil milhões de reais (2,25 mil milhões de euros), sem contar a cidade de São Paulo, que ainda não tem um estádio aprovado pela FIFA.

Ainda de acordo com o jornal, o interesse da iniciativa privada é “quase nulo” e “o país terá de recorrer aos cofres estatais para financiar os estádios”. Dos 12 estádios, nove são públicos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) já abriu uma linha de crédito de 4,8 mil milhões de reais (2,1 mil milhões de euros) para os estádios do Mundial.

Os recursos que o Brasil deverá gastar com estádios para a "Copa", como publica o referido diário, financiariam quase metade da verba que o Governo Lula gasta por ano com o Bolsa Família, principal política social de transferência de renda e redução da pobreza – cerca de 13 mil milhões de reais (5,7 mil milhões de euros).

Na sondagem, o apoio ao uso de dinheiro dos impostos para os estádios do Mundial foi detectado na camada social que recebe até dois salários mínimos (1.020 reais, algo em torno de 450 euros), quase 40 por cento.