Paíto

13-07-2012 15:55

«Estou ansioso e à espera que o telefone toque»

Aos 30 anos, e depois de uma aventura na Roménia, o lateral moçambicano está sem clube.
«Estou ansioso e à espera que o telefone toque»

Por Miguel Henriques sapodesporto@sapo.pt

Formado no Sporting, Paíto jogou várias épocas em Alvalade, tendo como ponto alto um golo estrondoso marcado num dérbi diante do Benfica. Corria o ano de 2005 e estávamos numa eliminatória da Taça de Portugal.

Era um jovem com talento e com um futuro promissor. Hoje, com 30 anos recém celebrados, Paíto está de férias pelo nosso país e sem clube, depois de uma passagem de quatro meses pelos romenos do Vaslui.

O SAPO Desporto foi encontrá-lo nos Jogos da CPLP a assistir a um jogo da seleção sub17 de Moçambique. Não perdeu a boa disposição, nem a alegria de jogar futebol. Está apenas à espera que o telefone volte a tocar para a bola voltar a rolar pelos seus pés.

«Neste momento estou de férias em Portugal. Ando ansioso. Todos os dias fico à espera que o telefone toque e possa assim voltar a jogar o mais rapidamente possível».

Para trás ficou uma passagem pela Suíça por Sion e Neuchatel Xamax. Problemas financeiros neste segundo clube obrigaram-no a mudar de ares a meio da época passada. A Roménia e o Vaslui, a pedido do treinador Augusto Inácio, foram o destino que se seguiu em janeiro.

Paíto era escolha regular e desportivamente a aventura até correu de feição, mas viver no futebol romeno não é tarefa fácil...

«Cheguei em janeiro à Roménia, onde estive quatro meses. Quando cheguei a equipa estava no quarto lugar. Fizemos um bom trabalho com Augusto Inácio, pois terminámos o campeonato a um ponto do campeão.

Fiquei com pena de sair da Roménia porque as pessoas gostavam muito de mim. Mas é um país difícil para viver. Sou um apaixonado pelo futebol e não me via a ficar mais de quatro meses naquele país.

O mister não queria que eu saísse porque acreditava no meu trabalho, como eu nele. Mas estava ciente de que aquilo não poderia durar muito tempo. Quem está habituado a trabalhar no futebol ao mais alto nível, dificilmente pode trabalhar naquele país».

O jogador não quis entrar em grandes pormenores, mas sempre foi dizendo que lá viu o «penálti mais escandaloso» da sua vida e despedimentos incompreensíveis como o de Jorge Costa do Cluj que «estava a fazer um trabalho excelente, uma vez que estava no primeiro lugar com cinco pontos de vantagem sobre o segundo» e, mais recentemente o despedimento de Augusto Inácio durante a pré-época com «apenas dez dias de preparação para a nova temporada».

Sobre o seu futuro, regressar a Portugal é um sonho, mas que acredita ser difícil de cumprir.

«Já não sou nenhum jovem de 20 anos, cheguei aos 30 na semana passada. Gostava muito porque é um campeonato que me fascina muito. Mas é difícil o regresso».

Passe o tempo que passar, Paíto será sempre lembrado em Portugal pelo golo que marcou ao Benfica num dérbi histórico de 2005. Até porque quando um novo Benfica – Sporting se aproxima, o seu telefone toca e invariavelmente os jornalistas portugueses pedem-lhe para que a história daquele tento seja, mais uma vez, recordada.