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16-08-2016 15:09

João Havelange, o rosto e homem forte da FIFA que acabou sob suspeita

Ex-presidente da FIFA João Havelange morreu aos 100 anos.
João Havelange recebe de Pinto da Costa uma estátua de um dragão durante uma visita à cidade do Porto em 1999
Foto: João Abreu Miranda

João Havelange recebe de Pinto da Costa uma estátua de um dragão durante uma visita à cidade do Porto em 1999

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

O brasileiro João Havelange, o rosto da FIFA durante mais de duas décadas, morreu hoje, aos 100 anos, após percurso que ficou marcado pelas suspeitas de corrupção no organismo.

João Havelange, filho de pai belga, esteve ligado quase desde sempre ao desporto e ao seu clube, o Fluminense, no qual jogou futebol, mas seria na natação e no pólo aquático que chegaria ao mais alto nível como desportista.

Formado em Direito, o brasileiro chegou a ser atleta olímpico, competindo em Berlim, em 1936, na natação, e em Helsínquia, em 1952, como jogador de pólo aquático, num percurso realizado antes de chegar ao dirigismo.

O futebol, do qual foi o grande ‘patrão’ mundial, deu-lhe ainda maior visibilidade, mas antes João Havelange teve cargos na natação brasileira e na Confederação Brasileira dos Desportos, organismo que reunia 24 modalidades, além do futebol.

Vivia-se um período ‘dourado’ do ‘desporto rei’ canarinho, com as vitórias da seleção nos Mundiais de 1958, 1962 e 1970, na época de Pelé, por muitos considerado o melhor futebolista de todos os tempos.

“Indiscutivelmente, o maior e melhor jogador que o mundo teve foi Pelé, como figura tão excecional. Não tenho como indicar o segundo e o terceiro”, chegou a dizer João Havelange em relação a Pelé.

Como dirigente pertenceu também ao Comité Olímpico Internacional (COI), ao qual chegou em 1963, mantendo-se durante mais de 40 anos, até 2012, e teve papel fulcral no discurso em 2009, em Copenhaga, na fase de decisão de atribuição dos Jogos ao Rio de Janeiro.

“Convido todos vocês para estarem comigo em 2016, na minha cidade, no novo Brasil, para celebrar os Jogos e, por uma incrível coincidência, também o meu centésimo aniversário”, disse, referindo-se a sua data de nascimento, a 08 de maio.

Uma frase que seduziu a maioria dos membros do COI com direito a voto e o convite acabou mesmo por ser aceite, com o Rio de Janeiro a ganhar a organização dos Jogos que agora decorrem e aos quais João Havelange já não pôde assistir.

Havelange, que chegou a ser indicado como dirigente do século em 1999, num inquérito levado a cabo pelo COI, chegou à sua principal ‘cadeira’, na FIFA, em 1974, e seria no organismo do futebol mundial que se manteria por mais de duas décadas.

Organizou seis Mundiais de futebol, impulsionou os campeonatos de formação e a vertente feminina e, como primeiro presidente não europeu da FIFA, expandiu a modalidade por vários continentes.

Foi sob a sua direção que os Mundiais subiram de 16 para 32 equipas, entre 1974 e 1998.

Depois de deixar o organismo do futebol mundial, no qual sucedeu-lhe o também polémico Joseph Blatter, Havelange seria ‘apanhado’, à semelhança do que aconteceu ao suíço, em denúncias de corrupção enquanto liderou o organismo.

Em causa estaria o favorecimento da empresa ISL na comercialização de direitos televisivos e publicidade nos Mundiais e Jogos Olímpicos, em contrapartida a um alegado ‘financiamento de votos’ na sua eleição.

As acusações deixaram João Havelange ‘debaixo de fogo’ e o antigo dirigente, que mantinha o cargo de presidente honorário da FIFA, acabou por renunciar ao mesmo em 2013, como forma de escapar de uma eventual punição.

Conteúdo publicado por Sportinforma