Football Talks

22-03-2017 19:22

Wendell Lira: Venceu o prémio Puskas, ficou desempregado e agora brilha nos videojogos

A história de um jogador de futebol tem múltiplas dimensões, e não pára, mesmo com o adeus aos relvados.
Wendell Silva Lira em ação no Football Talks 2017
Foto: FPF

Wendell Silva Lira em ação no Football Talks 2017.

Por Eduardo Santiago e Inês Antunes sapodesporto@sapo.pt

Cada jogador de futebol tem uma história, um percurso, um dia de glória, e uma despedida dos relvados, mais ou menos inevitável. E como muitos brasileiros, Wendell Silva Lira esteve muito próximo de concretizar vários sonhos de 'moleque'. Jogou ao lado de Pato, esteve perto de assinar pelo AC Milan, mas uma lesão acabou por lhe 'roubar' o sonho de ser futebolista profissional.

No entanto, Wendell Silva Lira ainda fez uma 'gracinha' antes de pendurar as chuteiras. Corria o ano de 2015, e disputava-se um jogo do campeonato estadual brasileiro entre o Atlético GO e o Goianésia quando Wendell Silva Lira marcou um golo que correu mundo e que lhe valeu o 'Prémio Puskas' em 2016.

Convidado pela FPF a falar no Football Talks, Wendell Lira partilhou um pouco da sua vida para demonstrar que, independentemente dos 'azares' da vida, as oportunidades estão ali, ao virar da esquina, mesmo quando se trata de uma carreira de futebolista.

"Vivi os dois lados da moeda, o lado glamoroso e a parte ruim, a parte escura. Joguei ao lado de grandes jogadores. Vivi o auge da carreira muito cedo. Com 16 anos, joguei profissional, num plantel do Libertadores. Achei que a minha vida estava a começar da melhor maneira e, quem sabe, escrever o meu nome na história do futebol. Em 2006 fui artilheiro ao lado do Pato, e eleito melhor jogador do campeonato. Não havia Neymar ainda, eu pensava que podia ser o novo Robinho. Fiz parte de seleção jovem com Pato, Sidnei que jogou em Portugal...Depois, veio proposta do Milan, de dois milhões de euros. Tinha apenas 17 anos. Falava muito em casa, porque éramos uma família humilde. O Goiás não aceitou, porque já tinha vendido um jogador, achavam que segurando-me, o passe seria valorizado para ganhar mais dinheiro. Mas, duas semanas depois, rompi o ligamento cruzado. Demorei um ano e sete meses a voltar a jogar porque também tinha um problema de cartilagem", começou por contar Wendell Lira no primeiro dia de Football Talks.

"Voltei ao Goiás e tive a segunda lesão do ligamento cruzado e foram mais dez meses fora! O Goiás, sem acreditar em mais propostas, deixou acabar contrato. Saí chateado, pensava que ia dar uma vida melhor à minha família. Aí, percebi que o meu grande suporte foi a minha mãe, lá encontrei o que precisava para me reerguer de novo. Rodei em clubes pequenos. Estive quatro meses desempregado, sem propostas até ir jogar para a terceira divisão. Apareceram dez propostas e pensei que era desta. Foi onde menos dinheiro ganhei que me senti mais feliz e fiz amigos... Saí do Novo Horizonte e fui para o Goianesia, onde fiz o golo que me deu o Prémio Puskás. Estavam 342 pessoas no estádio, fiz um golo bonito, parecia um golo simples que não ia dar mais nada. Mas depois de fazer um campeonato brilhante, de participar em 80% dos golos da equipa, com a minha mãe a dizer que devia abandonar para ir trabalhar com ela na lanchonete... e fui mesmo, atendia na caixa e nas mesas, pois voltei a ficar quatro meses sem contrato", contou o antigo jogador de futebol.

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Conteúdo publicado por Sportinforma