Futebol internacional

30-03-2017 11:49

Marko Zoric: "Foi no Porto que vi pela primeira vez o oceano, com 18 anos"

Antigo futebolista diz que qualidade dos chineses diminuiu, apesar de investimento dos clubes, e recorda a primeira vez que viu o mar em 2000 numa visita às Antas para a Taça UEFA.
Marko Zoric em ação contra o Real Madrid num jogo amigável em 2011.
Foto: MARK RALSTON

Marko Zoric em ação contra o Real Madrid num jogo amigável em 2011.

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Marko Zoric chegou à China em 2005, numa altura em que o dinheiro ainda não abundava no futebol do país, mas havia "mais qualidade" entre os jogadores chineses, ilustrando uma contradição que poderá frustrar as ambições de Pequim.

No total, em 2016, as 16 equipas que disputam a Superliga chinesa investiram cerca de 460 milhões de euros na contratação de jogadores estrangeiros, com os brasileiros Óscar e Hulk ou o argentino Tévez a serem das contratações mais sonantes.

Porém, o sérvio Marko Zoric, que alinhou no Tianjin Teda e no Shenzhen Asia Travel, entre 2005 e 2011, tem dúvidas quanto ao futuro da modalidade no país, que o governo quer colocar entre os melhores do mundo.

"O futebol na China vive uma revolução e eu respeito isso", disse à agência Lusa o antigo defesa-central, acrescentando que, quando passou pelo país, "os jogadores chineses tinham muito mais qualidade.

A única participação do país asiático num Mundial foi em 2002 e, desde então, as principais equipas chinesas ganharam notoriedade pelos gastos milionários com estrelas internacionais, mas a seleção chinesa continua no 86.º lugar do 'ranking' da FIFA.

Esta semana, a China ficou praticamente fora do Mundial2018, após perder com o Irão (1-0), de Carlos Queiroz, e ocupa agora o quinto e penúltimo lugar do Grupo A da zona asiática de qualificação.

Marko Zoric recorda melhores tempos da equipa da China, quando "havia quatro ou cinco jogadores chineses em equipas europeias", como Li Tie e Li Weifeng, que alinharam no Everton, em Inglaterra, e Shao Jiayi, que atuou no Energie Cottbus, na Alemanha.

Zoric, que foi votado pelos adeptos do Tianjin Teda como o melhor jogador estrangeiro de sempre do clube, lembra ainda que a maioria dos jogadores estrangeiros a rumar à China ocupa posições de ataque, tirando oportunidades aos jovens jogadores locais.

"Hoje tens 32 equipas profissionais. Em todas, o ponta de lança é estrangeiro. Então, quem é que vai marcar pela seleção da China", questionou.

O ex-jogador exemplificou este problema com a seleção portuguesa.

"Eu sou defesa, mas para mim os avançados são os mais importantes. Eu gosto do Bruno Alves, do [Ricardo] Carvalho, mas quem faz a diferença? [Cristiano] Ronaldo, [Ricardo] Quaresma ou Nani", referiu.

O despesismo dos clubes chineses gerou também criticas na Europa, com o treinador do Chelsea, Antonio Conte, a considerá-lo mesmo um "perigo para todas as equipas do mundo".

"Não é justo dizer que Inglaterra é melhor do que a China. Inglaterra tem dinheiro e o campeonato inglês é talvez o melhor no mundo, atrai os melhores treinadores e jogadores e agora estão a reclamar pelo que a China faz? O futebol é negócio. Se há regras, é igual para todos", disse Zoric.

Apesar de viver atualmente na Sérvia, Zoric continua ligado à China, agora como agente de futebolistas, e diz mesmo ter sentido "amor à primeira vista" pelo país: "Há um carisma na China que me atrai".

"Mas tive de trabalhar no duro. Se queres ser respeitado pelos chineses, tens de trabalhar mais do que eles", lembrou, adiantando que "foi muito difícil".

Portugal faz também parte das boas memórias do futebolista, que, em 2000, viajou para o Porto, então como jogador do Partizan, para defrontar o FC Porto, num jogo a contar para a Taça UEFA, com a sua equipa a perder por 1-0, com um golo do seu compatriota Ljubinko Drulovic.

Mas Marko Zoric recorda-se sobretudo do Atlântico.

"Foi no Porto que vi pela primeira vez o oceano", lembra, quando "tinha 20 anos".

Conteúdo publicado por Sportinforma