Futebol/Guiné-Bissau

05-04-2017 12:48

Federação de Futebol acusada de corrupção por antigo dirigente

Presidente e secretária geral do organismo estão a ser acusados de terem gasto, alegadamente, 655 mil euros.
Futebol Geral
Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Dirigentes da Federação de Futebol de Guiné-Bissau estão a ser acusados de corrupção

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Inum Embaló, antigo vice-presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), afirmou hoje ter provas de corrupção e de falsificações de documentos cometidas pelos atuais responsáveis federativos.

Numa conferência de imprensa na sede da Liga Guineense dos Direitos Humanos, em Bissau, presenciada por vários dirigentes do futebol guineense, Inum Embaló disse estar na posse de alegadas provas que, segundo afirma, incriminam diretamente o presidente da FFGB, Manuel Lopes, e a secretária-geral da instituição, Virgínia da Cruz.

Embalo acusa Manuel Lopes e Virgínia da Cruz de terem, alegadamente, gasto, "sem justificativos mais de mil milhões de francos CFA", cerca de 655 mil euros.

O dinheiro seria disponibilizado à federação pela FIFA e CAF (Confederação Africana de Futebol), mas teria sido utilizado em proveito próprio pelos dois dirigentes, segundo Embaló.

O antigo vice-presidente da federação guineense de futebol foi um dos cinco candidatos às últimas eleições na instituição ocorridas em junho de 2016. Embaló diz-se agora disposto a levar a cabo "um combate pela verdade e transparência".

"Temos provas irrefutáveis de corrupção na Federação. Ousamos avançar com estas denúncias porque o Presidente do nosso país [José Mário Vaz] diz que o medo acabou e que o dinheiro público tem que ser bem vigiado por todos", enfatizou Inum Embaló.

Segundo disse, uma investigação por si liderada durante oito meses permitiu descobrir "elementos de corrupção e falsificações de documentos" em nome da Federação tanto no país como no estrangeiro.

Disse ainda que a federação possui "uma conta bancária secreta" cujos movimentos apenas são do conhecimento de Manuel Lopes e Virgínia da Cruz.

Inum Embaló acusou também o Procurador-Geral da República, António Sedja Man, de estar a "impedir o avanço do processo", por ter, alegadamente, avocado os autos há mais de 40 dias, quando a lei diz que a diligência não pode ultrapassar oito dias, disse.

Para Embaló, o Procurador "deve estar a tentar esconder algo".

Contatada pela Lusa, a secretária-geral da federação guineense de futebol disse que ainda não ouviu as declarações de Inum Embaló, pelo que não pode se pronunciar. Virgínia da Cruz prometeu uma reação da federação logo a seguir a uma reunião do comité executivo, a ter lugar ainda esta quarta-feira.

O presidente da FFGB, Manuel Lopes, encontra-se em missão de serviço no estrangeiro.

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