Argentina

11-04-2017 17:29

Bauza caiu ao fim de 252 dias mas este era um desfecho há muito anunciado

Técnico argentino foi despedido em tempo recorde. Jorge Sampaoli e Diego Simeone são os preferidos da Federação Argentina de Futebol.
Edgardo Bauza, selecionador argentino durante um treino
Foto: JUAN MABROMATA / AFP

Edgardo Bauza

Por Inês Antunes sapodesporto@sapo.pt

252 dias. Foi quanto durou Edgardo Bauza no comando técnico da Argentina. Foi, aliás, o selecionador que menos tempo durou no banco de suplentes da ‘alviceleste’, nos últimos 43 anos. A separação foi confirmada por Claudio Tapia, que ainda agora chegou à presidência da Federação Argentina de Futebol (foi eleito a 29 de março) e já está a dar que falar. “Temos um acordo de palavra. Comunicamos ao Bauza que ele deixaria de ser o técnico da seleção nacional”, revelou o dirigente.

Bauza ultrapassou a marca de Sergio Batista, que assumiu o comando da Argentina interinamente, depois da saída de Diego Armando Maradona, acabando por ser despedido 364 dias depois, na sequência dos maus resultados verificados na Copa América de 2011.

Com contrato até junho, também Bauza, de 59 anos, acabou por não resistir aos maus resultados da equipa, em especial à derrota por 2-0 na Bolívia, que deixaram a Argentina na quinta posição do grupo de apuramento para o Mundial de 2018, que é como quem diz, fora dos lugares que dão acesso direto à competição que terá lugar na Rússia.

Antes disso, revela o ‘Folha de S. Paulo’, já havia “irritado” a imprensa, adeptos e dirigentes da Federação Argentina de Futebol (AFA), ao afirmar que a seleção argentina havia feito uma exibição “brilhante” diante do Chile, encontro que venceu por 1-0 com um golo de Lionel Messi, de grande penalidade.

Bauza foi contratado a 6 de agosto do ano passado para o lugar de Gerardo Martino, que havia sido demitido um mês antes. O saldo, no entanto, acabou por ficar abaixo das expectativas - três vitórias, dois empates e três derrotas nos oito compromissos que orientou, todos referentes à fase de qualificação do Conmebol. Dos 24 pontos em jogo, amealhou apenas 11. Agora, com apenas mais dois pontos que o Equador e a quatro jornadas do final, os argentinos correm sérios riscos de ficar de fora do Campeonato do Mundo.

Curiosamente, o próprio presidente da AFA tinha vindo a público apenas oito dias antes para defender o agora ex-selecionador da ‘alviceleste’. “Bauza é o treinador da seleção da Argentina. Tem um contrato assinado e os contratos são sempre para respeitar. Vamos reunir com ele”, referiu ao diário ‘La Nación’. O resultado está agora à vista.

De acordo com o ‘Folha de S. Paulo’, Bauza acabou por ‘apanhar por tabela’ com a eleição de Tapia. “Não fui eu quem escolheu ‘Patón’”, disse o novo presidente da AFA, clarificando que a escolha do técnico era da inteira responsabilidade da junta diretiva criada logo após a morte Julio Grondona, figura que controlou o futebol do país entre 1979 e 2014.

A nível desportivo, Bauza tinha à sua disposição jogadores como Lionel Messi, Paulo Dybala ou Gonzalo Higuáin, mas a verdade é que não conseguiu, a par dos seus antecessores, construir uma equipa coesa e consistente, capaz de conseguir a qualificação para o Mundial sem percalços. A recente suspensão do craque do Barcelona, que falha os restantes jogos da fase de qualificação, foi como deitar álcool numa ferida aberta. Sem ele, os argentinos apenas venceram um jogo dos oito até agora disputados.

O técnico não escapou às críticas da imprensa, que o acusou de não ter qualquer autoridade sobre a equipa, e principalmente de se deixar ‘comandar’ pelas diretrizes de Messi. Exemplo disso a entrada de Sergio ‘Kun’ Aguero no jogo diante da Bolívia, com os órgãos de comunicação locais a recordarem que o avançado do Manchester City é o melhor amigo de ‘La Pulga’ na seleção. No meio disto tudo, houve ainda um boicote aos jornalistas levado a cabo pelos jogadores, algo que, como seria de esperar, não caiu bem na Argentina. Era, portanto, um desfecho, mais do que anunciado.

Quem se segue?

Na quinta-feira, Claudio Tapia e Marcelo Tinelli, responsável pela seleção argentina, vão estar em Espanha para conversar com Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid, sabendo, no entanto, que a probabilidade de o técnico abandonar os ‘colchoneros’ neste momento é remota.

Jorge Sampaoli, atual treinador do Sevilla, também está na lista para assumir as rédeas da seleção argentina, de resto o nome preferido pela AFA para assumir o cargo em 2016, altura em que Bauza foi contratado. Mauricio Pochettino, argentino que treina o Tottenham, também tem sido apontado à equipa ‘alviceleste’.

Conteúdo publicado por Sportinforma