Futebol Internacional

14-06-2017 18:08

Fisco espanhol é o maior 'caça-evasões' na Europa

Operação à escala europeia tem tido mais sucesso em Espanha, tendo sido condenado vários jogadores ao pagamento de multas que ascendem a muito milhões de euros.
Ronaldo e Messi
Foto: DANI POZO / AFP

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são os jogadores mais mediáticos envolvidos nesta investigação

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

O futebol e os negócios que envolvem o desporto-rei estão a ser cada vez mais escrutinados pelas Finanças dos respetivos países. São vários os jogadores, dirigentes e empresários que estarão a ser investigados e serão suspeitos do crime de fraude fiscal, incluindo em Portugal.

Segundo avança o jornal Público, a operação, que está a decorrer à escala europeia, junta diversas autoridades tributárias europeias na procura de pistas de evasão fiscal no mundo do futebol.

A coordenação entre as autoridades europeias "permite cruzar informações sobre contratos de trabalho e transferências financeiras". Além disso, permite passar "a pente fino os rendimentos declarados, transferências de jogadores para o estrangeiro e outros acordos paralelos, como os de direitos de imagem", refere a publicação.

Fisco investiga 43 jogadores e sete sociedades desportivas em Portugal

A Autoridade Tributária (AT) portuguesa está a investigar eventuais fugas ao fisco por parte de clubes, sociedades desportivas e jogadores de futebol no nosso país. De acordo com o Jornal de Negócios, são 43 os jogadores que estão a ser escrutinados, em paralelo com sete SAD’s ou clubes nacionais e mais dez empresas.

Recorde-se que, há uns meses, um consórcio de jornalistas divulgou informações sobre vários jogadores com suspeita de terem fugido ao fisco, através da investigação Football Leaks. Entre os nomes divulgados encontravam-se jogadores e empresários portugueses, com destaque para Jorge Mendes.

Fisco Espanhol tem conseguido grandes resultados contra jogadores de grandes clubes

Cristiano Ronaldo é o último nome acusado de fraude fiscal, juntando-se a Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Angel Di María (atualmente no Paris Saint-Germain) e Xabi Alonso (reformou-se e foi declarado inocente) só do Real Madrid. São mesmo muitos os jogadores em Espanha que acabaram por estar no alvo das Finanças Espanholas. No Barcelona, Neymar, Lionel Messi, Alexis Sanchéz (atualmente no Arsenal), Mascherano, Adriano (atualmente no Besiktas) e mais alguns nomes do passado, como Figo e Eto'o, são alguns dos futebolistas que estiveram envolvidos neste caso, que investiga a não-declaração de rendimentos provenientes dos direitos de imagem dos jogadores, que serão adstritos a empresas sediadas em paraísos fiscais, pagando menos impostos.

Também Falcao, que pertenceu aos quadros do Atletico de Madrid e está ao serviço do Mónaco, também estará envolvido neste caso, o que levou mesmo ao empresário Jorge Mendes a ser testemunha no processo ao avançado colombiano.

A investigação levou mesmo a que o PSOE, principal partido da oposição espanhola, a pedir a comparência no parlamento espanhol do diretor da Agência Tributária para questionar sobre as investigações que a instituição realizou a futebolistas que, supostamente, estariam a fugir ao pagamento de impostos.

Mega-raide em Inglaterra e França leva a buscas no West Ham e Newcastle

A 26 de abril deste ano, uma mega-operação contra a fraude fiscal, envolvendo 180 fiscais das finanças britânicas, que ocorreu no Reino Unido e em França, levou à detenção de várias pessoas.

Lee Charnley, diretor-geral do Newcastle, foi um dos detidos no âmbito da investigação da autoridade tributária e aduaneira do Reino Unido (HMRC), que também efetuou buscas no estádio do West Ham, clube da Premier League onde joga o português José Fonte.

“Foram detidas várias pessoas que trabalham na indústria profissional de futebol por suspeita de fuga aos impostoss e fraude fiscal. 180 agentes fizeram buscas no Reino Unidos e em França durante o dia de hoje. Os investigadores procuraram uma série de premissas no nordeste e no sudeste de Inglaterra e confiscaram registos de negócio, registos financeiros, computadores e telemóveis”, explicou, na altura, a HMRC em comunicado.

Em causa está a suspeita de crimes de fraude fiscal agravada e branqueamento, cometidos por ocasião da transferência de vários jogadores de futebol entre clubes franceses e da 'Premier League' inglesa.

As autoridades britânicas suspeitam, em concreto, de "pagamentos ocultos" a certos jogadores, agentes e terceiros, destinados a escapar ao pagamento de impostos.

Operação "Fora de Jogo" envolve clubes, dirigentes e jogadores em Itália

Em janeiro do ano passado, várias dezenas de responsáveis de clubes das I e II divisões de Itália, além do diretor geral do Paris Saint-Germain, começaram a ser investigados por fraude fiscal e falsificação de contas, segundo anunciou a Procuradoria de Nápoles.

Segundo um comunicado do procurador adjunto, Vincenzo Piscitelli, o inquérito em curso, a cargo da polícia financeira, ‘batizado’ com o nome ‘fora de jogo’, revelou uma vasto sistema destinado a ludibriar o fisco e evitar o pagamento de impostos.

No total, estarão envolvidos 35 clubes da Serie A (I divisão italiana) e da Serie B (II divisão), bem como uma centena de pessoas, incluindo jogadores e respetivos empresários, segundo o Procurador napolitano.

“Foram apreendidos ativos no valor de 12 milhões de euros”, disse o procurador e, de acordo com os primeiros dados recolhidos na investigação, o sistema estava montado para escapar de forma sistemática ao pagamento de impostos ao Estado italiano, em particular nas transferências de jogadores que envolvem elevadas somas de dinheiro.

Os jogadores e empresários envolvidos são suspeitos de fornecer faturas falsas pelos serviços prestados aos clubes, sendo que esses empresários, muitos deles argentinos, usaram contas bancárias de empresas de fachada localizados em paraísos fiscais, beneficiando das diferentes leis que existem em Itália, país de onde provinha o dinheiro, e a Argentina, residência fiscal das respetivas sociedades.

Aurelio de Laurentiis e Claudio Lotito, presidentes do Nápoles e da Lazio, e Adriano Galliani, vice-presidente do AC Milan, ou o treinador argentino do Modena (II divisão), Hernan Crespo, estão entre os 58 implicados no escândalo, por factos ocorridos entre 2009 e 2013, revelou o procurador de Nápoles.

O jogador argentino Ezequiel Lavezzi, do PSG, que foi jogador do Nápoles entre 2007 e 2012, também está envolvido, bem como o diretor geral do clube parisiense, Jean-Claude Blanc, que exerceu as mesmas funções na Juventus.

Outros argentinos, incluindo o ex-ponta de lança do Inter de Milão Diego Milito, e o avançado alemão German Denis, do Atalanta, também estariam implicados.

Conteúdo publicado por Sportinforma