Futebol

13-07-2017 17:17

Austrália continua a lutar para entrar no mercado global do futebol

Como as digressões de clubes europeus à Austrália pode ajudar a quebrar o domínio do râguebi e do criquete.
Niall Blair, Ministro do Comércio e Indústria de Nova Gales do Sul com a Taça de Inglaterra juntamente com Petr Cech, Laurent Koscielny, Per Mertesacker e treinador Arsène Wenger.
Foto: WILLIAM WEST / AFP

Niall Blair, Ministro do Comércio e Indústria de Nova Gales do Sul, com a Taça de Inglaterra juntamente com Petr Cech, Laurent Koscielny, Per Mertesacker e treinador Arsène Wenger.

Por SAPO Desporto c/AFP sapodesporto@sapo.pt

A vitória de hoje do Arsenal sobre o Sydney FC por 2-0, com golos de Per Mertesacker e o reforço Alexandre Lacazette, marcou o arranque de uma pequena digressão dos 'gunners' pela Austrália, país que assumiu recentemente ter grandes expectativas com a visita do clube da Premier League para impulsionar o futebol na antiga colónia inglesa.

Apesar de haver uma grande influência britânica na Austrália, o futebol nunca conseguiu alcançar o mesmo patamar de popularidade de outras modalidades importadas de Inglaterra como o râguebi ou o criquete.

E talvez por essa razão, as digressões de grandes clubes ingleses à Austrália, como o caso do Arsenal, seja encarada pelo governo australiano como uma 'oportunidade de ouro' para impulsionar a modalidade, não só a nível desportivo, mas também ao nível do comércio, uma vez que este tipo de equipas de futebol arrasta consigo milhares de adeptos por onde passam.

No jogo desta madrugada frente ao Sydney FC, o Arsenal conseguiu atrair um total de 83,5 mil pessoas ao ANZ Stadium para assistir à estreia da mais recente contratação Alexandre Lacazette, que custou cerca de 60 milhões de euros aos cofres.

Na opinião de Damien De Bohun, antigo diretor da A-League (liga australiana de futebol), estes jogos servem também para dar mais visibilidade aos jogadores e clubes australianos.

"As digressões dos clubes europeus vem reforçar a popularidade do futebol a nível global. Esta digressões também proporcionam aos adeptos uma forma tangível para estabelecerem uma ligação com os jogadores, uma vez que muitos deles apenas viram os seus ídolos pela televisão, e com estes jogos podem quase tocá-los e sentir as emoções do jogo ao vivo", afirmou Damien De Bohun, responsável pela realização dos maiores eventos do Estado de Victoria, em declarações à AFP

"Tecnicamente, estes jogos proporcionam também a oportunidade para que as pessoas vejam de perto o alto profissionalismo dos clubes estrangeiros que podem partilhar conhecimentos de jogo e técnicas de treino com os clubes locais e respectivos jogadores.

No ano passado, o Tottenham realizou uma série de jogos na Austrália no contexto da International Champions Cup, enquanto que o Liverpool realizou em maio um jogo amigável frente Sydney FC.

"É óptimo para o crescimento dos clubes australianos a possibilidade de poder defrontar grandes equipas com um elevado grau de dificuldade", acrescentou Damien De Bohun.

"Pois isto permite aos clubes da Austrália uma exposição ao panorama futebolístico internacional, tal como aconteceu em 2014 com a conquista da Liga dos Campeões asiáticos por parte dos Western Sydney Wanderers.

"Estas digressões acabam também por ajudar os clubes locais a aspirar e a jogar a um nível mais elevado na Austrália", frisou ainda De Bohun.

O antigo diretor da Liga Australiana de Futebol recorda também que estes jogos têm uma elevada importância como montra de talentos dos jogadores australianos para a alta roda do futebol europeu.

O antigo jogador dos Western Sydney Wanderers, Aaron Mooy, foi referenciado pelo Manchester City e agora está na Premier League ao serviço dos recém promovidos Huddersfield Town.

Já Mathew Ryan, antigo guarda-redes dos Central Coast Mariners, assinou recentemente um contrato pelos ingleses do Brighton Hove Albion, depois de uma passagem pelo Valencia, assim como o seu antigo colega de equipa Tom Rogic continua a brilhar nos escoceses do Celtic.

"A marca global dos clubes europeus consegue continuar a crescer. Os grandes patrocínios do clubes europeus têm escritórios e sedes nesta parte do mundo e querem também beneficiar com o facto dos clubes jogarem na Austrália, derivado também à proximidade dos grandes mercados asiáticos", acrescentou De Bohun, que ajudou recentemente a organizar um jogo amigável em Melbourne entre Brasil e Argentina.

"Ter o Brasil e a Argentina a jogar em Melbourne abriu os olhos e os ouvidos de outros clubes e países para virem cá jogar", frisou De Bohun.

"Alguns países que vão jogar o Mundial da Rússia no próximo ano já revelaram interesse em vir à nossa cidade para jogar. Há um plano claro em desenvolvimento", sentenciou De Bohun.

Conteúdo publicado por Sportinforma