O português José Mourinho disse hoje querer continuar a treinar o Real Madrid, da I Liga espanhola de futebol, no dia em que Rafael Benitez, seu congénere nos ingleses do Chelsea, o aponta como seu substituto.

Em declarações difundidas pela Agência EFE, Mourinho afirmou sentir-se «bem» e disposto a continuar à frente do emblema madridista, apesar da contestação dos adeptos após a eliminação nas meias-finais da Liga dos Campeões e das críticas a Cristiano Ronaldo e a Iker Casillas.

«O futebol é consequência da sociedade e estamos num Mundo muito hipócrita. Mas sinto-me bem para continuar a trabalhar», disse Mourinho.

Coincidentemente, o técnico do Chelsea, da liga inglesa e adversário do Benfica na final da Liga Europa, disse esperar ser substituído pelo português, admitindo ter assinado um contrato de curto termo, até ao final da época, assumindo uma certa interinidade após a dispensa do antigo técnico, o italiano Roberto Di Matteo.

«No próximo ano estará aqui outro técnico e penso que toda a gente sabe quem será», disse o treinador espanhol, numa clara alusão ao português.
José Mourinho, que tem contrato com o Real Madrid até junho de 2015, deixou claro que não cobrará «além do último dia de trabalho» no clube espanhol.

«Para que não haja dúvidas, no Real apenas cobrarei até ao último dia de trabalho. Não quero nem mais um euro», clarificou.

O técnico luso afirmou ainda que não se sente «atraiçoado por ninguém», a propósito das declarações recentes de Pepe, que pediu respeito a Casillas, ao que Mourinho retorquiu: «o problema dele é Varane [central mais utlizado]».

E clarificou uma questão relacionada com declarações do seu adjunto Aitor Karanka, quando disse que Mourinho não tinha todo o poder para contratar, quando quis, o guarda-redes Diego Lopez, logo no final da primeira temporada.

«Não fui persistente, pelo que a culpa é minha, não do clube. Pedi Diego Lopez e argumentaram contra, o que aceitei, pois não fui suficientemente persuasivo nesse sentido», frisou o treinador.

O Real Madrid pode registar o seu milionésimo triunfo no historial frente ao Málaga, na quarta-feira, mas consagra o FC Barcelona campeão se perder pontos no Santiago Bernabéu.

Mas a intenção de Mourinho é clara:

«Somos o único clube grande da Europa que ainda não foi derrotado em casa. Não é um título, nem me faz feliz. Mas vale a pena tentá-lo», concluiu.