Mourinho

20-03-2017 18:53

De ´Special One´ a ´Calm One`: "Uma vitória já não é lua e uma derrota o inferno"

Além da mudança na personalidade, o português teve de adaptar os seus métodos aos clubes por onde vai passando até porque cada clube tem uma história, uma filosofia, um contexto.
José Mourinho

José Mourinho

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

José Mourinho já não é o mesmo de há 14 anos. O técnico garante que amadureceu, já não vive o futebol 24 horas por dia. Agora é um homem mais calmo, mais tranquilo, garantiu o próprio, numa entrevista à revista francesa ´France Football`.

"Mourinho, o homem, a pessoa, é o contrário do treinador. Tenta ser discreto, tranquilo e encontrar uma forma de desconectar. Posso ir para casa e não ver um jogo de futebol, não pensar em futebol. Posso fazê-lo. No início da minha carreira não podia. Estava conectado de forma permanente, 24 horas por dia. Hoje, sinto-me bem com a minha personalidade. Amadureci, estou mais tranquilo. Uma vitória já não representa a lua e uma derrota o inferno. Penso que sou capaz de transmitir serenidade aos que trabalham comigo, aos meus jogadores. Tenho a mesma ambição de antes, isso sim. A mesma dedicação, o mesmo profissionalismo. Mas controlo mais as minhas ambições", afirmou.

Além da mudança na personalidade, o português teve de adaptar os seus métodos aos clubes por onde vai passando até porque cada clube tem uma história, uma filosofia, um contexto. No Manchester United, por exemplo, teve de ir à procura de um jogador que transmitisse personalidade. Foi por isso que levou Zlatan Ibrahimovic.

"É necessário adaptar-se à realidade do clube, das suas necessidades e exigências. A isso chama-se ser inteligente. A prioridade é estabelecer relações de paz e amor num grupo, de criar estabilidade. O Manchester United já não tem as super-personalidades que eram o Ryan Giggs, o Paul Scholes ou o Roy Keane. Ainda tem o Rooney e o Carrick, que são os últimos rostos dessa geração e há também um novo grupo de jogadores que tem de adaptar-se. É por isso que foi importante para mim contratar o Ibrahimovic. Nesta equipa, ele tem, sem ser inglês e sem conhecer a cultura do clube, a personalidade e o perfil para ser muito mais do que um simples jogador", justificou.

Na mesma entrevista, o técnico português falou dos seus famosos ´mind games` e explicou que estes só são eficazes se houver jogadores no grupo capazes de receber este tipo de discursos.

"Do ponto de vista psicológico, a relação dos jogadores é melhor quanto maior for a empatia no grupo e mais preparados os jogadores vão estar. Os 'mind games', que consistem em tentar manipular alguém psicologicamente através da comunicação social, é um meio de criar um estado de espírito que é sobretudo eficaz quando temos uma equipa repleta de personalidades e que está pronta a receber esse tipo de discurso", sublinhou.

Em Itália onde treinou o Inter Milão, os ´mind games` eram mais eficazes porque a equipa tinha jogadores que estavam dispostos a fazer tudo pelo treinador.

"No Inter estava como peixe na água. Tinha Materazzi, Cordoba, Ibrahimovic, Milito, Thiago Motta... Esses rapazes estavam prontos a seguir-me para todo o lado. Depois é outra coisa tentar liderar um grupo onde os jogadores não têm o mesmo perfil. Por isso, antes de seguir determinada direção, é preciso perceber as pessoas com quem estamos a trabalhar", esclareceu.

Conteúdo publicado por Sportinforma