FC Porto

13-03-2017 16:20

Soares era o boneco que faltava no desenho de Nuno

Desde que Soares chegou ao FC Porto, a equipa de Nuno Espírito Santo passou de uma média de 1,9 golos por ronda, antes da sua contratação, para 3,3 golos.
Nuno Espírito Santo chama adeptos ao quadro

Nuno Espírito Santo chama adeptos ao quadro

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

O FC Porto vai de ´vento em popa` na I Liga e só está à espera de um deslize do Benfica para tomar de assalto à liderança da prova. Os ´dragões` golearam o Arouca na sexta-feira por 4-0 e somaram a 9.ª vitória consecutiva.

Com Nuno Espírito Santo ao leme, a construção da equipa começou de trás para a frente: os ´dragões` começaram por consolidar o processo defensivo (melhor defesa da Liga com 11 golos sofridos, quatro deles fora de casa, em 26 jornadas) mas faltava afinar a pontaria na frente.

530 minutos sem marcar

Os dissabores na frente de ataque custaram muito a equipa. A formação azul-e-branca teve um mês de novembro ´negro` com cinco empates consecutivos (três para a I Liga, um para a Taça da Liga e outro para Champions), a que pode juntar outro nulo em finais de outubro com o V. Setúbal. Soava o alarme no Dragão: era preciso um avançado capaz de transformar as oportunidades em golo já que a dupla André Silva/Diogo Jota não dava para tudo. A equipa esteve 530 minutos sem fazer qualquer golo, até que Rui Pedro saltou do banco para dar a vitória frente ao SC Braga no Dragão, aos 95 minutos.

A contestação foi subindo de tom no Dragão e teve o seu auge com a eliminação da equipa na Taça de Portugal e, mais tarde, na fase de grupos da Taça da Liga (empates com Belenenses e Feirense e derrota com Moreirense). Nem a passagem aos ´oitavos` da Champions amenizou a crítica. A equipa era coesa e forte atrás mas faltava o homem-golo à frente. Nuno sentiu a necessidade de explicar aos jornalistas mas também aos adeptos o que queria da equipa e o porquê dos resultados menos conseguidos. Recorreu a um quadro e desenho em duas ocasiões para explicar as suas ideias.

E tudo Soares mudou...

Em janeiro de 2017, chegaria Soares proveniente do Vitória de Guimarães. Era o ´boneco` que faltava no desenho de Nuno. A estreia do avançado brasileiro aconteceu na 20.ª jornada frente ao Sporting. Era imperial vencer e Soares mostrou ao que vinha: dois golos na estreia e o Dragão rendido ao novo avançado. Soares marcaria ainda nos outros cinco jogos da Liga que se seguiram, tornando-se num caso sério no Dragão.

Desde que Soares chegou ao FC Porto, a equipa de Nuno Espírito Santo fez 20 golos em seis jornadas e passou de uma média de 1,9 golos por ronda, antes da sua contratação, para 3,3 golos. Os ´dragões` chegaram aos 57 golos e passaram a ter o ataque mais concretizador da prova.

A importância de Tiquinho Soares no ataque azul-e-branco não se mede apenas nos golos. Desde que Soares chegou, o FC Porto passou a rematar menos e a acertar mais. Antes a equipa rematava, em média, 17,2 vezes por partida, para fazer 1,9 golos. Agora tem uma média de 14,7 tentativas para 3,3 golos. Sem surpresa, a percentagem de remates enquadrados passou de 36% para 50%, de acordo com dados do jornal OJogo.

Para se encontrar um jogador com tanta eficácia no FC Porto é preciso recuar até a época 2000/2001, ano em que Pena marcou nos primeiros seis jogos que fez com a camisola azul-e-branca. Mas Soares fez melhor: marcou nove golos nos seis jogos. Ao todo, o avançado fez 45 por cento dos golos da equipa neste período. Estes nove tentos foram conseguidos com apenas 24 remates. A título de curiosidade, André Silva precisou de 72 remates (média de 4,8) para chegar aos 15 golos que leva na I Liga.

Os golos traduzem também o que Soares veio dar à equipa. Com ele, o FC Porto ganhou no poderio físico, na exploração da profundidade e em presença aérea. O avançado encaixou que nem uma luva na forma de jogar da equipa de Nuno Espírito Santo. É caso para dizer que Soares era o ´boneco` que faltava no desenho de Nuno, quando o treinador tentou explicar o que queria da sua equipa.

Soares só não marcou para a Liga dos Campeões, na derrota por 2-0 frente a Juventus, em jogo da primeira-mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Um jogo inglório para o avançado já que o FC Porto remeteu-se à defesa a partir dos 25 minutos, quando Alex Telles foi expulso com duplo amarelo.

O atacante precisou de 22 jogos para chegar aos nove golos no V. Guimarães, seu anterior clube. No ´Dragão` chegou aos nove golos em seis partidas. Nesta altura leva 16 golos na I Liga e está no segundo lugar dos melhores marcadores, atrás de Bas Dost.

Conteúdo publicado por Sportinforma