Primeira Liga

22-03-2017 18:47

José Pereira: Tantos despedimentos de treinadores é "incompetência dos dirigentes"

Um treinador não pode ser um tarefeiro que se despede de um momento para o outro", frisou.
José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores

José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

O presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), José Pereira, criticou hoje os presidentes dos clubes portugueses da I Liga, responsabilizando-os pelo número recorde de 17 mudanças de técnicos desde o início desta temporada.

Em declarações prestadas à margem do primeiro dia do congresso Football Talks, organizado pela Federação Portuguesa de Futebol e que decorre até sexta-feira no Centro de Congressos do Estoril, o líder da classe dos treinadores pediu também "maior exigência" aos seus colegas na hora de aceitarem novos desafios.

"A incompetência dos dirigentes é a explicação. Os dirigentes não sabem escolher, não procuram coordenar o perfil do clube e da equipa com o do treinador, e de uma forma irresponsável substituem assim os treinadores com esta facilidade", afirmou.

No entender de José Pereira, a solução não passa por criar mecanismos legais que limitem a mudança de treinadores, mas sim por uma renovação da mentalidade dos dirigentes.

"A melhor solução para proteger o treinador é termos dirigentes à altura da missão que desempenham", disse.

O dirigente da ANTF apelou também para a importância de se fazer uma reflexão sobre os atuais números das ‘chicotadas psicológicas' na Liga portuguesa.

"Isto é de uma irresponsabilidade que importa refletir no sentido de apaziguar um pouco esta situação, de modo a que se dignifiquem eles próprios e a carreira do treinador.

Um treinador não pode ser um tarefeiro que se despede de um momento para o outro", frisou.

Sem deixar de apontar o dedo à "forma ridícula" como se despedem treinadores e à falta de tempo que há para desenvolver o trabalho, José Pereira garantiu ainda estar à espera de uma inversão da atual tendência na próxima temporada, que considerou "uma exceção pelo seu número exagerado".

"Esperemos bem que seja, de facto, uma exceção e que as pessoas assentem e se compenetrem na gestão do clube, de modo a que todos possamos prestigiar o futebol português. Espero que diminua na próxima época, se não acontecer ainda mais nenhum sobressalto nesta que está a decorrer", concluiu.

Conteúdo publicado por Sportinforma