Benfica 1-1 FC Porto

02-04-2017 09:01

Análise: Um clássico que nada mudou e onde tudo aconteceu

Jonas quebrou 'tabu' e marcou a um 'grande', Maxi fez o primeiro golo da temporada e logo contra a antiga equipa e Casillas provou que tem um ´fetiche' com a Luz.
Benfica vs FC Porto
Foto: Lusa

Jonas inaugurou o marcador para o Benfica

Por Inês Antunes sapodesporto@sapo.pt

No clássico de sábado à noite nada mudou – empate a uma bola, o mesmo resultado que no Dragão, e apenas um ponto a separar Benfica e FC Porto - mas houve, ao mesmo tempo, um pouco de tudo. Jonas estreou-se a marcar frente aos ‘grandes’ em pleno dia de aniversário, e logo frente à equipa do treinador que (alegadamente) lhe fechou a porta no Valência, acabando por ser acolhido pelos ‘encarnados’. Maxi Pereira estreou-se a marcar contra a equipa que representou durante oito épocas e não se coibiu nos festejos, no palco onde rapidamente passou de aplaudido a assobiado. Por fim, mas não menos importante, Casillas voltou a fazer uma segunda parte do outro mundo na Luz, à imagem e semelhança da época passada, com uma, duas, três defesas a provar que os milagres existem. E logo no dia das mentiras.

O jogo:

Numa altura em que cada vez mais se fala na aposta nos jovens e na formação, não deixa de ser curioso terem sido os mais velhos a decidir este Benfica-FC Porto. Para a posteridade fica o cumprimento entre Jonas e Casillas, já no final do encontro, com o brasileiro a esboçar um sorriso como quem pergunta “Mas como é que defendeste aquilo?”. Porque, de facto, Casillas defendeu tudo menos a grande penalidade que colocou ambos frente a frente logo ao minuto sete. Aí foi o brasileiro a levar a melhor: remate para o centro, desvio do espanhol para a direita e o Benfica a materializar um arranque de jogo eletrizante, algo pouco visto numa equipa com tendência para se acanhar frente aos ‘grandes’.

Rui Vitória tinha apostado em Rafa já a pensar nas saídas rápidas enquanto Nuno Espírito Santo surpreendeu no 4x3x3, com Corona, Soares e Brahimi na frente de ataque, deixando no banco o seu melhor marcador, André Silva. O treinador dos ‘dragões’ quis encher o seu meio-campo mas não foi bem sucedido e a alta pressão da equipa da casa, bastante rápida nas movimentações, fez-se logo sentir na falta de Felipe sobre Jonas, após uma excelente iniciativa de Salvio, que estaria na origem do 1-0.

Com o golo, a equipa ‘encarnada’ recuou no terreno, dando oportunidade aos ‘dragões’ de se assumirem mais no jogo. Oportunidades dignas desse nome, na primeira parte, só mesmo o livre de Brahimi (37’) a obrigar Ederson a esticar-se. Ainda assim, o espaço parecia controlado pela formação benfiquista, pelo que seria muito difícil a este onze de Nuno Espírito Santo chegar mais longe - má aposta em Corona, que passou bastante despercebido em campo, tal como a sua equipa durante muitos momentos da primeira parte.

O ‘puxão de orelhas’ do técnico portista ao intervalo trouxe um FC Porto mais parecido com o Benfica no arranque da partida, a beneficiar, em sentido inverso, de uma entrada em piloto automático dos ‘encarnados’. Daí até ao golo do empate bastaram quatro minutos: perda de bola de Pizzi, insistência de Brahimi, incapacidade dos jogadores ‘encarnados’ em afastar o perigo e Maxi Pereira, no meio da confusão, a aproveitar a deixa. Primeiro golo da época do uruguaio e logo contra a antiga equipa. Se assim não fosse, o futebol não teria metade da piada.

Certo é que o golo de Maxi tinha tudo para galvanizar os ‘dragões’ para o que restava da segunda parte, só que tirando o momento em que Ederson (muito melhor nas saídas) roubou a bola dos pés de Tiquinho Soares (59’), foi no lado contrário que o perigo se instalou, com o Benfica a voltar à carga. E foi aí que Casillas voltou a trancar a mesma baliza que no ano passado impediu os 'encarnados' de saírem da Luz com o empate (ou até mesmo a vitória). Jonas e Mitroglou (62’, 65’ e 72’) bem tentaram mas o espanhol rebateu todas as investidas com defesas de alto nível, umas atrás das outras. Rui Vitória bem disse que as individualidades poderiam sobressair...

As substituições, quer numa equipa, quer noutra, pouco ou nada acrescentaram ao que restava do jogo, que deixou tudo na mesma, agora a sete jornadas do fim, sendo que o confronto direto de nada servirá em caso de empate entre ‘águias’ e ‘dragões’. O método seguinte passa por calcular a diferença entre golos marcados e sofridos, e aí sim, o FC Porto leva vantagem.

O momento:

Dupla defesa de Casillas ao minuto 72: Momento que deixou o coração de muitos adeptos benfiquistas e portistas na mão. Primeiro, negou o golo a Mitroglou, logo a seguir travou um remate à queima-roupa de Jonas, após um livre cruzado para a área. A avaliar pelo pulsar do jogo, se a bola tivesse entrado, a vitória dificilmente escaparia às ‘águias’.

A polémica:

Clássico que é clássico tem sempre alguma polémica à volta. Desde a falta de Felipe sobre Jonas (penálti pareceu ter sido bem assinalado), ao choque entre Jonas e Nuno Espírito Santo, a gerar grande confusão junto do banco portista. Ao minuto 85, Jonas caiu na área e pediu grande penalidade, mas Carlos Xistra fez bem em nada assinalar.

Os melhores:

Jonas: A estreia a marcar em jogos contra ‘grandes’. Entrou em campo com uma energia que parecia inesgotável, conseguindo logo aos cinco minutos uma grande penalidade a seu favor. Muita classe e frieza no momento de bater Casillas, ainda tentou o ‘bis’ variadíssimas vezes, sempre travado pelo espanhol, além de um cabeceamento que saiu a centímetros do poste.

Nelson Semedo: Travou acesos duelos com Brahimi no flanco direito, o que já não é para qualquer um, conseguindo levar a melhor em muitos deles. Ainda teve tempo para dar azo à sua veia ofensiva e impulsionar o ataque dos ‘encarnados’. Nota bastante positiva também para Ederson.

Brahimi: O principal desequilibrador da equipa portista. Ederson teve de se aplicar para evitar males maiores da parte do argelino, primeiro num livre direto aos 37 minutos e depois num remate aos 67, com uma defesa a dois tempos. Esteve em bom plano na jogada de insistência que acabou por levar ao golo de Maxi Pereira.

Casillas: Enorme na segunda parte, a compensar a falta de trabalho na primeira. Destaque para a defesa ao minuto 66, com a mão direita, por instinto, a travar um remate em arco de Jonas, e para a dupla defesa ao minuto 72, talvez o grande momento do jogo.

Os piores:

Mitroglou: Noite pouco inspirada do avançado grego, atual melhor marcador dos ‘encarnados’. Aos 72 minutos, teve uma oportunidade de ouro para fazer o 2-1 e, quiçá, fechar as contas, mas o remate acabou travado por Casillas.

4x3x3 de Nuno: O técnico portista quis surpreender com o onze delineado para este encontro mas viu-se traído pelo seu próprio meio-campo, com sérias dificuldades em anular as ‘águias’ nos primeiros momentos. Chamar Corona à titularidade foi um erro, ninguém deu pelo jogador.

As reacções:

Rui Vitória: "Há uma luta ate ao final, estamos prontos para ela"

Nuno: "Temos de ser fortes e seguir o nosso caminho"

Pizzi: "A luta vai ser enorme até ao final"

Óliver: "Cada jogo é uma final e vamos tentar vencer todas"

Pinto da Costa: "Não falo de arbitragem. Não vivo na chafurdice"

Curiosidades

- Jonas precisou de nove jogos para se estrear a marcar frente a um ‘grande’

- Benfica venceu 85% dos jogos em que entrou a vencer num clássico na Luz frente ao FC Porto

- Jonas concretizou a grande penalidade mais rápida (7 minutos) num clássico entre Benfica e FC Porto, num total de 236 jogos

- Há oito épocas que não acontecia um resultado idêntico no jogo da 1.ª e da 2.ª volta entre Benfica e FC Porto (2008/2009 - 1-1; 2016/2017 - 1-1)

- FC Porto não tinha tantos empates (7) à 27.ª jornada desde a época 2004/2005, quando os ‘dragões’ eram treinados por José Couceiro (9)

Conteúdo publicado por Sportinforma