Jorge Andrade

13-04-2017 17:57

"Quando não há resultados imediatos, quem paga é o árbitro ou algo exterior"

Antigo defesa do FC Porto deu entrevista exclusiva ao SAPO Desporto, onde analisou a violência no futebol e a alegada agressão de Samaris.
Jorge Andrade
Foto: Oriental

Jorge Andrade foi jogador do FC Porto e da Juventus

Por Diogo Marcelo sapodesporto@sapo.pt

Jorge Andrade acredita que a pressão colocada pelos clubes acaba por prejudicar o futebol. O antigo defesa do FC Porto falou ao SAPO Desporto, onde analisou o fenómeno da violência no futebol.

"Sempre que existem fases finais de campeonatos, é normal que as equipas façam pressão, tanto os 'grandes' como os 'pequenos', que lutam por objetivos, como a luta pela manutenção, a luta pelo título ou pelos lugares europeus. Têm muita pressão e querem, muitas das vezes, resultados imediatos e favoráveis e, quando as coisas não acontecem, quem paga ou é o árbitro ou algo exterior, nunca é por culpa própria. Daí a pressão feita aos árbitros e outras situações que ocorrem no futebol. Eu acho que a Federação, as Associações e a Liga estão atentas a esses problemas. Visto também que o presidente da Liga é um ex-árbitro, há-de saber quais as dificuldades que os árbitros têm neste momento", afirmou o ex-atleta, que acredita que os árbitros têm de ser protegidos e que isso deve ser feito em todos os escalões.

"Temos de defender a parte mais fraca e a parte mais prejudicada são sempre os árbitros. Os agentes desportivos têm de ter atenção que os árbitros têm um papel fundamental para que as coisas corram dentro da normalidade. Não estando eles com condições para trabalhar, todo o processo e todos os campeonatos vão ter problemas. Daí ser essencial que tudo volte à normalidade para que não existam problemas daqui para o futuro. Devemos também consciencializar todas as pessoas, desde o futebol profissional até ao futebol mais jovem, para fazer saber que o futebol é só um jogo".

Questionado sobre a alegada agressão de Samaris a Diego Ivo, no jogo do passado sábado entre Benfica e Moreirense, Jorge Andrade acredita que o castigo deve ser rápido, para que não sejam beneficiadas equipas que não têm nada a ver com o ocorrido.

"Eu acho que faz parte do futebol. Acho que o castigo ser sumaríssimo ou ser cumprido depois, a verdade desportiva há-de ser diferente. Se o jogador fosse castigado logo com um ou dois jogos resolvia-se o problema, porque quando cair o castigo em cima do jogador, vai beneficiar uma equipa que não tem nada a ver. Daí a verdade desportiva não estar ao de cima. Quanto ao castigo, nós portugueses nem nos podemos queixar muito nessas situações, porque já tivemos situações bem piores do que a do Samaris e não deram em nada. As pessoas têm de perceber que, no futebol, os jogadores por vezes têm atitude e neste fim de semana foi tanto o jogador do Feirense e o Samaris e não é por isso que vão deixar de jogar a bola. Há situações, mesmo em Espanha, com colegas nossos que também tiveram situações, que levaram nove jogos [de castigo]. E não é por uma tentativa de agressão do Samaris que vai levar uma carrada de jogos para ser exemplo para ninguém", referiu.

Jorge Andrade, na sua carreira como jogador, conta com passagens como jogador por Estrela da Amadora, FC Porto, Deportivo da Corunha e Juventus. Durante a sua carreira, conquistou uma Taça de Portugal, uma Supertaça Cândido de Oliveira e uma Supertaça de Espanha.

Na sua carreira como treinador, passou pelos escalões jovens do Belenenses, foi técnico adjunto no Atlético CP e treinador principal do Oriental.

Conteúdo publicado por Sportinforma