V. Setúbal 0-3 Sporting

15-04-2017 12:00

Análise: 'Leão' chegou tarde à luta pelo título mas ainda pode fazer estragos

'Leões' atravessam o melhor momento da temporada com cinco triunfos consecutivos e na próxima jornada há dérbi em Alvalade, que pode influenciar o rumo do campeonato.
Vitoria de Setubal vs Sporting
Foto: Lusa

A felicidade de Alan Ruiz, Schelotto e Bas Dost

Por Inês Antunes sapodesporto@sapo.pt

Falta apenas uma semana para o dérbi com o Benfica, e se noutra altura, com os oito pontos que separam as duas equipas, seria (aparentemente) mais fácil fazer recair o favoritismo sobre os ‘encarnados’ (ou não estivessem em primeiro lugar), hoje o caso muda de figura. Mesmo sem qualquer título a juntar ao seu palmarés, a verdade é que os ‘leões’ atravessam a melhor fase da temporada, com cinco triunfos consecutivos – oito vitórias e um empate nos últimos nove jogos –recuperou o seu ‘capitão’ e tem um goleador que ‘teima’ em deixar Messi para trás na corrida à Bota de Ouro, acompanhado por um Alan Ruiz cada vez mais endiabrado (a tal melhor dupla do campeonato, nas palavras de Jorge Jesus), e um ‘miúdo’ cada vez mais homem, no seu futebol e na forma como se esquivou ao quinto amarelo que o tiraria da receção aos ‘encarnados’.

Se tudo isto não serve para colocar o líder do campeonato em sentido já, resta-nos esperar confortavelmente pelo tira-teimas em Alvalade. Até porque o Benfica não está a atravessar o seu melhor momento.

O jogo:

Com tantas nuvens negras sobre o V. Setúbal-Sporting (a eliminação polémica dos ‘leões’ na Taça da Liga, o consequente resgate de André Geraldes e Ryan Gauld aos sadinos em janeiro, discussões sobre a semântica do antijogo), esperava-se um duelo mais combativo dentro das quartas linhas. Afinal, a equipa de Couceiro já havia travado ‘águias’ e ‘dragões’ dentro e fora de portas, e até o próprio Sporting já havia caído no Bonfim para a Taça da Liga.

E nos primeiros minutos os sadinos tentaram, de facto, ratificar esse estatuto, chegando mesmo a ter três remates contra zero da equipa de Jorge Jesus. Mas à passagem do primeiro quarto de hora já o controlo do jogo mudava de mãos e daí ao primeiro golo dos ‘leões’ foi uma questão de tempo. Cinco minutos, mais precisamente. Erros de palmatória de Bruno Varela e Frederico Venâncio,que não podem hesitar quando um jogador de nome Bas Dost está na área. Não aproveitou o holandês, mas aproveitou Gelson Martins, mostrando ao seu treinador que nunca é arriscado apostar nele de início, mesmo quando está à ‘bica’ - o mesmo não poderá dizer Marvin Zeegelaar, que falha a receção às 'águias'.

Apesar do balde de água fria, o Vitória procurou restabelecer a igualdade ainda antes do intervalo, apoiando-se na inspiração de João Amaral e João Carvalho, mas sem oportunidades dignas de registo. Um canto cobrado por Nuno Pinto, com Edinho a falhar o desvio ao primeiro poste, apanhou a defensiva 'leonina' desprevenida, mas a bola rapidamente desapareceu junto ao poste mais distante, tal como o perigo para a baliza de Rui Patrício. Ficava, contudo, a ideia que os homens de Couceiro entrariam no segundo tempo da mesma forma que no primeiro.

Nesse sentido, nota positiva para Jorge Jesus, que soube ler o que o jogo pedia, levando a que a sua equipa ‘matasse’ qualquer aspiração dos sadinos em apenas seis minutos. Após dois falhanços de Bas Dost e Schelotto, William Carvalho (55’) respondeu da melhor maneira ao canto de Bruno César e saltou mais alto que Fábio Cardoso e Frederico Venâncio - já havia marcado na primeira volta em Alvalade.

A vitória parecia assegurada mas faltava ainda o homem-golo aparecer. Até porque a Bota de Ouro não espera por ninguém. Alan Ruiz contribuiu com meio-golo – excelente cruzamento de trivela do argentino – e Bas Dost (61’) fez o resto. São já 28 remates certeiros no campeonato, que o deixam na liderança isolada do ‘ranking’ europeu de goleadores. Somando todas as competições, foi o trigésimo golo do holandês - só por uma vez chegou a esta marca, tendo terminado a época 2011/12 no Heerenveen com 37 golos.

Ainda com meia-hora por jogar, Jorge Jesus optou por tirar Gelson – o melhor em campo – não fosse o diabo tecê-las, deixando o jogo caminhar tranquilamente até ao apito final. Entraram em cena Bryan Ruiz, e, mais tarde, Podence e Ricardo Esgaio, mas o mais importante já estava conseguido. Três golos, três pontos e um leve ‘piscar de olho’ ao eterno rival. Temos dérbi.

O momento:

Golo de Gelson Martins (20’) – Nesta fase do encontro, o Sporting já rondava a baliza de Bruno Varela, mas foi o golo de Gelson a sossegar os ‘leões’, que até então não haviam feito grande coisa. Duas hesitações do jovem guarda-redes e de Fábio Cardoso permitiram a antecipação do extremo ‘leonino’, rapidíssimo, que não perdoou.

A polémica:

Pénalti por assinalar a favor do Sporting? – Logo depois de ter inaugurado o marcador, Gelson Martins foi derrubado por Nuno Pinto junto à área sadina, com os ‘leões’ a pedirem penálti. Muitas dúvidas sobre se o lance teria ocorrido dentro ou fora da área, mas dá-se o benefício da dúvida ao árbitro João Pinheiro, que acabou por marcar livre.

Os melhores:

Gelson Martins - De regresso à titularidade, depois de falhar o encontro da jornada passada por lesão, Gelson Martins voltou a ser o grande desequilibrador do plantel ‘leonino’, combinando a irreverência própria da sua tenra idade com uma técnica bastante apurada. O golo acabou por ser a cereja no topo do bolo – já não marcava desde a receção do Sporting ao Paços de Ferreira (4-2), no final de janeiro.

Bruno César – Não há que enganar. Bruno César rende muito mais quando joga como médio descaído para a esquerda. Ontem, no Bonfim, não foi exceção. Esteve nos golos de Gelson e William, tendo ainda tentado a sua sorte, ainda que sem sucesso. Com o castigo de Marvin Zeegelaar, é possível que recue para a lateral esquerda frente ao Benfica. O que é pena.

Jorge Jesus – Mérito do treinador dos ‘leões’ na forma como interpretou o jogo, conseguindo, numa primeira instância, rebater a entrada mais atrevida dos sadinos, intensificando aos poucos a pressão e, mais tarde, já com a vitória no bolso, gerindo a meia-hora que restava da forma que quis.

Os piores:

Vitória de Setúbal – Uma entrada promissora que se revelou sol de pouca dura. Desde o impasse de Fábio Cardoso no lance do primeiro golo, à passividade dos centrais no 2-0. No plano ofensivo, contam-se pelos dedos da mão as oportunidades de perigo criadas.

Zeegelaar – Mais por não ter conseguido controlar o quinto cartão amarelo, que viu ainda na primeira parte, do que pela exibição em si. Concedeu alguns espaços aos seus adversários, mas a verdade é que não comprometeu.

Reações:

Jesus: "No dia em que o Sporting for campeão, o país vai parar"

Couceiro: "Antijogo? Não posso resolver algumas frustrações..."

Adrien: "Benfica? É mais um jogo que queremos ganhar"

Costinha: "Sporting foi justo vencedor mas por números exagerados"

Curiosidades (fonte: playmakerstats)

- Bas Dost tem uma média de um golo por jogo, com base nos 24 jogos realizados pelo Sporting.

- Vitória de Setúbal é a maior ‘vítima’ de Gelson: três golos sofridos esta temporada, todos dentro da área e com o pé direito.

- Só por duas vezes o V. Setúbal conseguiu uma reviravolta no Bonfim, frente ao Sporting, depois de estar a perder ao intervalo (1936 e 1957)

- Bruno César já é o segundo jogador do Sporting com mais assistências (6) esta temporada, deixando Bryan Ruiz (5) para trás. Gelson (9) é o jogador que mais dá a marcar no Sporting.

Conteúdo publicado por Sportinforma