Sporting-Benfica

21-04-2017 10:57

Acusações, processos, cânticos...O dérbi também se joga fora das quatro linhas

A rivalidade entre Benfica e Sporting tem sido pródiga em confrontos, mas nem todos se disputam dentro das quatros linhas.
Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira
Foto: LUSA

Bruno de Carvalho e Luís Felipe Viera, presidentes dos dois clubes

Por José Rafael Lopes sapodesporto@sapo.pt

A rivalidade entre Benfica e Sporting é uma das mais antigas do desporto português. Durante mais de 100 anos, ‘leões’ e ‘águias’ têm protagonizado alguns dos duelos mais intensos do futebol português. Com registos para recordar dentro do relvado, o passado recente tem sido marcado por disputas fora das quatro linhas. Afinal de contas, o dérbi não se joga apenas com equipas desportivas.

O clima de tensão potenciado por queixas, processos e acusações teve início com a ida de Jorge Jesus para o Sporting no final da época 2014/2015. Na sequência desta mudança do técnico para Alvalade, o Benfica anunciou que iria instaurar um processo ao seu antigo treinador.
Segundo a tese do clube da Luz, Jorge Jesus quebrou o seu contrato com o Benfica ao deslocar-se à academia do Sporting quando ainda tinha um vínculo contratual em vigor com os 'encarnados'. Para além desta acusação, o Benfica revelou também que Jorge Jesus lesou o emblema da 'águia' ao levar consigo para Alvalade um ‘software’ de análise que era exclusivo dos 'encarnados'.

Recorde-se que Luís Filipe Vieira pediu seis milhões de euros ao técnico cuja justificação pendia sobre os adeptos que foram lesados. Na altura, o presidente declarou que Jorge Jesus estava em dívida com os seis milhões de adeptos. O preço exigido era de um euro por cada um.
No entanto, todas as palavras acabaram por não dar em nada com o técnico a assumir o Sporting.

O episódio seguinte na batalha judicial teve como protagonista Bruno de Carvalho e a sua presença no programa de televisão “Prolongamento”. Na altura, o presidente leonino trouxe a público uma acusação sobre ‘vouchers’ entregues pelo Benfica a árbitros, observadores e delegados em cada jogo da equipa principal e da equipa B. O ´voucher` incluía um jantar para duas pessoas, uma camisola do Eusébio, no valor de 179,90 euros, de acordo com a Liga.

De acordo com o presidente leonino, esta atitude mostrava indícios de ser uma forma de condicionar a arbitragem dos jogos do clube da Luz. As acusações de Bruno de Carvalho fizeram correr muita tinta e originaram uma luta dos dois emblemas em tribunal.

Numa série de acusações e contra-acusações, requerimentos e recursos, Benfica e Sporting acusaram-se mutuamente de várias formas. O Benfica, na sequência das acusações dos vouchers, pretendia ver o presidente do Sporting punido por lesão da honra e reputação, no entanto, a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) foi a favor do Sporting. Em sentido inverso, o clube de Alvalade também apresentou queixa por lesão de honra e reputações contra o Benfica, mas sem efeito para o TAD.

Cartilhas, claques e interdição da Luz na ordem do dia

Quando as duas equipas se enfrentarem no Estádio de Alvalade será num contexto de várias questões ainda pendentes fora dos relvados. À partida, a recente revelação de cartilhas distribuídos aos comentadores televisivos afetos ao Benfica feita pelo FC Porto. Apesar de ter sido lançada pelos ‘dragões’, o Sporting rapidamente entrou em cena para condenar a existência da suposta ‘cartilha’ entregue pelo Benfica a todos os comentadores e pessoas ligadas ao clube nos media.

A questão das ‘cartilhas’ tornou-se num dos temas da atualidade e o Correio da Manhã avançou que o Sporting também tinha a sua própria cartilha em que, certos pontos, eram de autoria de Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting respondeu de pronto. Publicou nas redes sociais um texto sobre o tema, onde separou as ‘cartilhas’ de Benfica e Sporting.

Mais recentemente, o Sporting voltou à carga contra os ‘encarnados’ depois do encontro entre o Benfica e Moreirense. Após a vitória dos ‘encarnados’ em Moreira de Cónegos, o Sporting apresentou uma queixa ao Conselho de Disciplina da FPF em que defendia que Samaris, médio do Benfica, tinha agredido jogadores do Moreirense durante o encontro e, como tal, deveria ser castigado.

Este processo ainda decorre, mas apesar do que surgiu como hipótese, Samaris não vai ficar de fora do jogo do dérbi entre Benfica e Sporting no Estádio de Alvalade que está marcado para sábado.

Na ordem da semana estão as claques desportivas que deram mais um motivo para ‘incendiar’ o já tenso clima entre os dois emblemas. No pavilhão da Luz, as duas claques entoaram cânticos contra o oponente da segunda circular. Os adeptos afetos ao Benfica evocaram a morte de um apoiante leonino com um ‘very-light’ atirado por um adepto do Benfica, na final da Taça de Portugal de 1996. Na resposta, a claque leonina entoou um cântico contra Eusébio da Silva Ferreira. Nas bancadas, ouviu-se questões sobre onde estava o ´pantera negra` que morreu há três anos.

Este sábado, Sporting e Benfica encontram-se no Estádio de Alvalade num encontro da 30ª jornada da Primeira Liga. O encontro ganha especial importância, uma vez que pode ser decisivo nas contas do título. O Benfica é líder do campeonato com mais três pontos dos o FC Porto. A partida em Alvalade é, teoricamente, a mais complicada do calendário das ‘águias’ até ao final.

Conteúdo publicado por Sportinforma