O Desportivo de Chaves falhou hoje o regresso à I Liga de futebol, de onde está afastado há 16 anos, numa tarde de enorme frustração e lágrimas para os adeptos locais.

Até um minuto do final da partida, a festa estava instalada nas bancadas do Municipal de Chaves, com a vitória do Freamunde sobre o Tondela a colocar a equipa transmontana no principal escalão do futebol luso.

No entanto, o golo do empate do Tondela, já nos descontos da partida em Freamunde, trouxe as lágrimas e desalento até Chaves, com os adeptos, sempre atentos aos relatos das rádios, a ficarem incrédulos com a notícia.

O ruído e a euforia dos festejos transformaram-se, em segundos, numa contagiante onda de tristeza, com muitos adeptos a já nem ficaram para o final do jogo, abandonando, inconformados, o recinto, que hoje teve lotação praticamente esgotada.

Os que ficaram não deixaram de dar uma derradeira salva de palmas aos jogadores, muitos deles prostrados no relvado, também em lágrimas, com os adversários a servirem de primeiro consolo.

No final da partida, o treinador Carlos Pinho surgiu acompanhado do capitão de equipa Barry na sala de imprensa, e, de voz embargada, não escondeu a frustração.

“Perder a subida no último minuto é muito duro. Foi ainda mais terrível, porque estávamos perante os nossos adeptos”, disse o técnico, acrescentando: “O importante é agora mimar estes jogadores e fazer uma análise ao que foi feito.”

Ainda mais sentido se mostrou Barry, com evidentes dificuldades em expressar os sentimentos: “Foi morrer na praia. Tenho de deixar uma palavra aos adeptos, que sempre nos apoiaram. Com o tempo vamos sarar esta ferida."

Também pela sala de imprensa do estádio flaviense passou Bruno Carvalho, presidente do emblema transmontano, que deixou uma mensagem de agradecimento aos adeptos.

“A vida é feita de momentos bons e menos bons e este é muito difícil. Tenho de enviar uma mensagem de força para todos, porque, efetivamente, merecíamos subir à I Liga”, desabafou, sem conseguir suster as lágrimas quando, no final, foi saudado pelos funcionários do clube.

Algumas dezenas de apoiantes esperaram pela saída dos jogadores do estádio, dando uma última ronda de conforto e apoio à equipa que durante 15 jornadas esteve na liderança da II Liga, depois de em 2011 ter estado perto de fechar portas, devido a problemas financeiros.