Futebol

24-03-2011 08:46

Paulo Bento, seis meses a tentar reabilitar selecção

O ex-treinador do Sporting chegou à selecção depois da saída conturbada de Carlos Queiroz e de um Mundial em que a equipa das quinas esteve aquém das suas possibilidades.
Paulo Bento, seis meses a tentar reabilitar selecção

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Paulo Bento foi apresentado como seleccionador português de futebol a 22 de Setembro e, em pouco mais de seis meses, tem dado uma nova vida a uma equipa que se encontrava em “depressão”.

Com quase cinco anos de experiência como treinador sénior no Sporting, nos quais ganhou duas Taças de Portugal e duas Supertaças, Paulo Bento pegou numa selecção marcada por um Mundial 2010 pouco conseguido – excepção à goleada sobre a Coreia do Norte (7-0) – e pelo polémico afastamento de Carlos Queiroz.

A própria entrada de Paulo Bento também foi algo conturbada, surgindo como segunda escolha, depois de o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Gilberto Madaíl, ter tentado a contratação de José Mourinho para os jogos com a Dinamarca e a Islândia, decisivos no apuramento para o Euro2012.

O Real Madrid acabou por não libertar Mourinho e Madaíl apresentou Paulo Bento pouco mais de duas semanas antes do confronto com a Dinamarca, mas o treinador não se mostrou fragilizado por ser segunda escolha.

«O presidente tinha toda a legitimidade para esgotar opções, não tenho nenhum tipo de fragilidade. Para mim é um orgulho ser uma opção a seguir a um dos melhores do Mundo, senão o melhor», disse, na altura.

A primeira convocatória de Paulo Bento teve algumas surpresas, como a estreia de João Pereira ou os regressos de Carlos Martins e Silvestre Varela, por si “proscritos” no Sporting.

Depois de reconhecer que a selecção tinha de «dar algo aos portugueses» para que estes a voltassem a apoiar, Paulo Bento, que levou cerca de 500 adeptos ao primeiro treino, conseguiu dois preciosos triunfos por 3-1 sobre as duas equipas nórdicas.

Nos dois primeiros jogos, Paulo Bento definiu imediatamente um “onze” tipo, com três “esquecidos” de Queiroz - João Pereira, João Moutinho e Carlos Martins -, recuperando também Hélder Postiga.

Estes triunfos permitiram a Portugal reentrar na luta pela qualificação, depois de uma entrada em falso no apuramento, com o empate caseiro com o Chipre (4-4) e a derrota na Noruega (1-0), dois jogos em que Agostinho Oliveira substituiu o castigado Queiroz.

Com apenas dois golos marcados durante a “regência” de Queiroz, Cristiano Ronaldo, que se manteve como “capitão”, parece ter ressurgido com as “quinas” ao peito, marcando três golos em quatro jogos, que podiam ser quatro, tivesse o árbitro validado o “golão” à Espanha.

Aliás, o particular com a campeã mundial marca indelevelmente os primeiros seis meses de Paulo Bento, graças a um categórico triunfo por 4-0.

Em quatro jogos, Paulo Bento foi apenas uma vez derrotado, no particular com a Argentina (2-1), embora Portugal tenha deixado, nesse encontro, excelentes indicações até aos 60 minutos, altura em que Ronaldo foi substituído, juntamente com Nani e Hugo Almeida.

Desde a chegada de Paulo Bento, houve igualmente outras alterações na estrutura técnica das selecções jovens portuguesas, com destaque para a chegada de Rui Jorge, antigo colega de Paulo Bento, para treinar a equipa de sub-21.