Portugal 2-1 México

03-07-2017 07:04

Análise: Um ‘bronze’ que deu trabalho quando se queria o ‘ouro’

Equipa lusa venceu o México e despediu-se da Taça das Confederações no terceiro lugar.
André Silva joga pela seleção
Foto: AFP or licensors

André Silva foi titular no encontro

Por José Rafael Lopes sapodesporto@sapo.pt

Resumo:

Portugal venceu o México 2-1 no jogo de atribuição do terceiro e quarto lugar e terminou no terceiro posto da Taça das Confederações. Depois da eliminação perante o Chile, a seleção lusa venceu os ‘aztecas’ no prolongamento com um golo de Adrien Silva. Antes, Neto – auto golo – e Pepe fizeram o marcador que levaram a partida para o prolongamento empatada 1-1.


O jogo

Portugal entrou em campo para tentar conquistar o “mal menor” como disse Pizzi após o final do encontro. Frente ao México, era uma reedição do primeiro jogo de Portugal na fase de grupos da Taça das Confederações. Como prometido, Fernando Santos fez muitas alterações e apresentou uma equipa que lhe dava garantias como tinha anunciado na conferência de imprensa.

Com Ronaldo como a principal baixa da equipa, Portugal apresentou-se num 4-3-3 com extremos puros para aproveitar a velocidade de Gelson e Nani enquanto André Silva estava no centro a fazer de ponta de lança posicional com as ocasionais ‘fugas’ para as alas. Atrás deles, Pizzi era o maestro de uma orquestra que se queria afinada enquanto Danilo e João Moutinho davam tranquilidade e segurança.

Perante os ‘aztecas’, a estratégia funcionou a ‘meio gás’. Houve de facto velocidade pelas alas enquanto Portugal atacou, mas a segurança esteve em causa perante o ataque dos mexicanos.


Pizzi de luxo a orquestrar o ‘brilharete’ de Gelson

Não há como evitar destacar tanto o médio do Benfica como o extremo do Sporting. Pizzi fez um dos melhores jogos da sua carreira internacional. Forte no capitulo do passe, sempre a encontrar o companheiro certo na altura certa mereceu a chamada à titularidade e mostrou que tem tudo para ser opção titular noutras ocasiões.

Já Gelson é um nome que a defensiva mexicana não vai esquecer tão cedo. O extremo leonino foi o principal agitador do ataque luso pelas alas e foi uma constante dor de cabeça para ambos os laterais. Chegou a ter o golo na cabeça quando Portugal estava a perder, mas Ochoa tinha outros planos para a partida.

Apesar das boas exibições individuais, a equipa de Fernando Santos teve vários momentos de perda no encontro. O México não ficou a ver jogar e chegou a colocar Portugal em sentido sobretudo após ter marcado o golo em que apostou quase todas as fichas em contra-ataques venenosos face ao jogo subido da seleção nacional.


Correrias desenfreadas que culminaram com golo tardio de Pepe

É um facto que toda a ‘euforia’ à volta da Taça das Confederações se esmoreceu quando Portugal ficou de fora da disputa do troféu, mas dentro de campo a história foi outra. Fernando Santos tinha prometido uma equipa de garantias e a querer lutar pela vitória e foi isso mesmo que se verificou quando Portugal sofreu o golo que deriva de uma infelicidade de Neto.

O perigo com maior caudal ofensivo de Portugal chegou quando era preciso recuperar o resultado. A equipa subiu, pressionou e encostou os ‘aztecas’ às cordas. No banco, apenas duas opções ofensivas que não são ofensivas. Sem avançados ou extremos para além de Ricardo Quaresma que já estava em campo, Fernando Santos lançou Adrien e André Gomes.

Com Gelson e Quaresma a trabalhar as alas, os médios iam tentando dar linhas de passe. Eliseu e Semedo tinha a missão de acrescentar algo mais, mas enquanto o açoriano deu conta do recado, o defesa direito mostrou-se abaixo do que já mostrou no passado. O resultado foi um ataque continuado com bolas a entrar na área, mas onde André Silva sozinho tinha dificuldades em atuar. Sem Ronaldo e a sua capacidade pelo ar, o avançado do AC Milan aparentar sentir falta de apoio dentro da áreas. Pepe aliou-se ao ataque na parte final e foi feliz com um golo tardio que levou o encontro para o prolongamento. Depois de ter sido o México a marcar na parte final do encontro da fase de grupos, Portugal respondeu na mesma moeda.


Igualdade reposta para um final de jogo em contenção

O prolongamento começou com o México mais forte, mas foi Portugal que, num momento de infelicidade para Layún, se colocou em vantagem. Quatro grandes penalidade depois, Adrien Silva converteu o tento que alterou o sentido da partida. Portugal passou da ofensiva para a defensiva apesar da vontade de Fernando Santos ser outra.

Em vantagem, a formação lusa deu espaço ao México que, inevitavelmente, tomou de assalto a área portuguesa. A formação ‘azteca’ tentou por tudo nova igualdade e deu alguns calafrios a Portugal. Valeram as boas intervenções de Rui Patrício bem como algumas más decisões dos jogadores adversários num momento em que não se joga com a cabeça, mas sim o coração nos minutos finais. Apesar do esforço, o resultado não sofreu alterações e Portugal sai da Rússia como terceira classificada da Taça das Confederações. Um prémio que nas vozes de jogadores e selecionador não soube tão bem como a final, mas que é prémio justo depois de uma competição internacional de Portugal.


O Momento:

Golo do México:

Numa altura em que havia indecisão no encontro, mas nenhuma das equipas tinha controlo absoluto do jgoo, o tento que deu vantagem aos ‘aztecas’ foi a primeira de várias mudanças no ritmo de jogo. Foi após o golo que houve mais vontade de ambas as equipas.

Os Melhores:

Pizzi:

Maestro às ordens da obra de Fernando Santos foi uma das oito alterações promovidas para este encontro e um dos melhores em campo. Forte no passe e na construção de jogo esteve presente em quase todos os grandes momentos de Portugal.

Gelson

Tal como Pizzi, o jogador do Sporting foi chamado à titularidade na rotação do plantel. Foi o grande impulsionador do jogo ofensivo de Portugal e mostrou-se entrosado com Nélson Semedo nas poucas ocasiões em que o defesa direito subiu no terreno. Podia ter feito ele o empate num movimento ‘à Ronaldo’, mas Ochoa fez uma tremenda defesa para lhe negar o tento.

Rui Patrício

O guarda-redes de Portugal assinou uma série de intervenções de alto nível que voltaram a comprovar o motivo pelo qual é a principal escolha de Fernando Santos. Tanto no jogo regular como no prolongamento, o guardião foi um muro intransponível que apenas um português conseguiu quebrar quando Neto fez o autogolo.

Os Piores

Nélson Semedo

Chamado para defesa direito, Nélson Semedo esteve abaixo do que já mostrou tanto na seleção como no Benfica. Algo cauteloso a atacar e com demasiadas fragilidades a defender foi um jogador com muitas dificuldades em conter a ofensiva mexicana.

André Gomes

Entrou quando Portugal precisava de opções ofensivas e em pouco em nada contribuiu no jogo de Portugal. Perdido entre os jogadores mexicano foi fechando espaços, mas sem ter peso nas decisões do jogo. Dificilmente teria entrado se Fernando Santos tivesse outra opção para a frente de ataque.

Reações

Fernando Santos: “Os portugueses estão orgulhosos”

Pizzi:" A medalha é especial, mas queríamos outra cor"

Adrien: "Regresso a Alvalade? Por agora sim..."

Raúl Jiménez: "Pedi desculpa a Eliseu e o caso ficou por ali

Curiosidades

Portugal mantém invencibilidade perante o México em jogos oficiais.

Encontro com o México foi a primeira vez que Portugal esteve em desvantagem na Taça das Confederações.

Desde o jogo com a Suíça que Portugal não se via a perder. Ao contrário do encontro contra os helvéticos, a seleção nacional deu a volta.

Rui Patrício ultrapassou Bento na lista dos guarda-rede mais internacionais por Portugal.

Pepe voltou a jogar pela seleção depois de ter sido suspenso no jogo com a Nova Zelândia.

Adrien Silva marcou o seu primeiro golo por Portugal

Quatro grandes penalidades depois, Portugal voltou a converter da marca dos 11 metros. Antes, Quaresma, Moutinho, Nani e André Silva tinha falhado as oportunidades.

Conteúdo publicado por Sportinforma