Doping

29-11-2016 19:43

Canal de televisão russo vai transmitir documentário sobre doping nos Jogos Rio2016

De acordo com as estatísticas reveladas no documentário, a AMA autorizou 1.300 mil tratamentos com substâncias proibidas a desportistas de elite de modo excecional.
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Foto: Lusa

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Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

O Canal Uno, da Rússia, revelou hoje que vai transmitir na segunda-feira um documentário que acusa diversas autoridades desportivas, incluído a Agência Mundial Antidoping (AMA), de permitir o doping a desportistas ocidentais nos Jogos Olímpicos Rio2016.

"A investigação revela o problema de doping legalizado e sistemático para os desportistas [ocidentais]. Os autores [do documentário] descobriram que muitos dos historiais médicos de desportistas conhecidos são falsos. Os atletas dopam-se com a desculpa de tratamentos terapêuticos, mas, seguramente, não estão doentes", referiu o canal de televisão russo em comunicado.

As autoridades desportivas internacionais, entre elas o sueco Arne Ljungqvist, vice-presidente da AMA entre 2007 e 2010, lançaram dúvidas sobre a extensa prática de autorização ao consumo de substâncias proibidas a desportistas que alegam sofrer problemas crónicos.

"Quando se começou a falar sobre a exceções terapêuticas, a direção do Comité Olímpico Internacional (COI) concluiu que se alguém está realmente doente para necessitar de tomar substâncias proibidas não deveria sequer competir", disse Ljungqvist.

De acordo com as estatísticas reveladas no documentário, a AMA autorizou 1.300 mil tratamentos com substâncias proibidas a desportistas de elite de modo excecional, mais 50% do que o ano anterior e o dobro que em 2013.

O documentário conta com a presença do ex-chefe do laboratório de Antidoping da Suíça, Martial Saugy, do ex-diretor do Comité Médico do COI, Patrick Shamash, do ex-treinador da seleção italiana de atletismo Sandro Donati e do ex-diretor do laboratório de Antidoping do Comité Olímpico dos Estados Unidos Don Catlin.

Em setembro, um grupo de piratas informáticos, denominado Fancy Bear e identificado pela AMA como um grupo de espionagem russo, revelou os nomes dos desportistas a quem foi permitido tomar substâncias proibidas durante os Jogos Olímpicos do Rio2016.

Esta revelação implica vários campeões olímpicos dos Estados Unidos, tais como a ginasta Simon Biles ,que acusou doping nos controlos efetuados em agosto, mas não foi suspensa e conquistou quatro medalhas de ouro e uma de bronze.

Biles está incluída no programa de Utilização Terapêutica de Substâncias Proibidas da AMA e admitiu que sofre desde criança de um transtorno de défice de atenção por hiperatividade, alteração de comportamento que se trata com psicostimulantes.

Conteúdo publicado por Sportinforma