Rio'2016

22-07-2016 09:00

Ana Rente: "Medalha seria a cereja no topo do bolo"

A ginasta vai viver a sua terceira experiência olímpica no Rio de Janeiro.
Ana Rente
Foto: © 2012

Ana Rente em ação nos Jogos Olímpicos

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Quando iniciar a sua série no trampolim da Arena Olímpica do Rio2016, Ana Rente vai estar focada em conseguir algo que lhe escapou nas duas presenças anteriores: a presença na final.

“O meu grande objetivo é estar presente numa final. São oito atletas que passam, é muito complicado. Somos 16 com esse objetivo. E, depois, uma vez que tenha conseguido chegar à final, tudo é possível… quem sabe uma medalha. Isso seria a cereja no topo do bolo”, enumerou em conversa com a agência Lusa.

Depois da estreia em Pequim2008, com o 16.º lugar, e da confirmação em Londres2012, com o 11.º, a atleta do Lisboa Ginásio Clube acredita que a experiência vai ajudá-la a estar mais descontraída antes da prova. “Mas, claro que nunca é para ir muito relaxada para uns Jogos Olímpicos. É sempre uma grande honra estar presente e vou sempre muito focada, portanto, não há tempo para relaxação”, frisou a ginasta de 28 anos, que, a 12 de agosto, no Rio2016, espera superar o nível atingido nos treinos.

Considerada por muitos como a melhor atleta portuguesa de sempre na modalidade de trampolim, Ana Rente, que concilia a alta competição com o curso de medicina, teve de fazer muitos sacrifícios para estar nos seus terceiros Jogos Olímpicos. “É sempre complicado gerir. São quatro anos de trabalho, de foco, de muita motivação, de treino. Acho que as pessoas não têm muita noção do que é treinar todos os dias. É como se fosse um segundo trabalho. É um 'hobby', é uma coisa que não é profissional, mas estamos todos os dias a treinar com um objetivo, nem sempre nas melhores condições, como nos outros países, nem sempre com tantos estágios e internacionalizações como nos outros países”, apontou.

Para a ginasta, estar presente nos Jogos Olímpicos é, por si só, um grande feito, algo que nem sempre a opinião pública, que só de quatro em quatro anos sintoniza a emissão para ver os atletas portugueses ‘esquecidos’ durante os períodos não olímpicos, compreende. “É uma noção que as pessoas não têm. 'Ah, lá vão eles aos Jogos Olímpicos'. Não é bem assim. Nós tivemos de lutar muito para conseguir estar lá. Estarmos lá já é tão bom. Claro que queremos sempre mais. Somos desportistas, somos atletas, temos uma ambição enorme, queremos sempre mais, nunca estamos satisfeitos. Acho que os portugueses devem ficar atentos aos Jogos Olímpicos, porque nós vamos querer muito e estamos muito motivados para obter um bom resultado”, sublinhou.

Desde junho que Ana Rente aumentou a carga de treinos para se preparar o melhor possível para a maior competição multidesportiva global, o que a obrigou a parar com a vida profissional.

A esta decisão seguir-se-á, com o cair do pano no Rio2016, uma ainda mais complexa. “O meu principal objetivo agora são os Jogos Olímpicos. A posteriori, tenho de pensar muito bem. Provavelmente, serão os meus últimos Jogos. Não sei. Há muito tempo que digo que vou desistir depois dos Jogos Olímpicos. Não tem acontecido. Desta vez, poderá ser diferente”, confessou.

Seja ou não a sua última experiência olímpica, Ana Rente quer vivê-la plenamente, sem se preocupar com os problemas que, por estes dias, tanto dão que falar no Rio de Janeiro. “A única coisa que me preocupa é a minha preparação para os Jogos Olímpicos. O zika (vírus), os transportes, acho que isso não pode afetar neste momento um atleta. O atleta tem de estar preocupado com os treinos, com aquilo que sente e com todas as sensações que tira dos treinos”, argumentou.

Conteúdo publicado por Sportinforma