Rio'2016

11-08-2016 17:13

Judo entre o bronze, as lágrimas e as promessas para Tóquio'2020

O judo português encerrou esta quinta-feira a sua presença no Rio'2016.
Telma Monteiro promete voltar em Tóquio'2020
Foto: LUSA

A judoca lusa venceu hoje o bronze no Rio de Janeiro

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

A medalha de bronze de Telma Monteiro, que repetiu o feito único de Nuno Delgado em Sydney2000, dá um balanço positivo nos Jogos Olímpicos Rio2016 ao judo português, com muitas lágrimas e promessas de melhoria para Tóquio2020.

Em 12 combates, o sexteto luso somou seis vitórias e seis derrotas, que valeram, além do histórico resultado da atleta do Benfica, dois nonos lugares (Joana Ramos e Sergiu Oleinic) e três 17.ºs (Jorge Fonseca, Célio Dias e Nuno Saraiva). “O judo português deixou uma grande imagem. Temos o resultado da Telma Monteiro e o Sergiu, que ganhou ao número 1 do ‘ranking mundial. Infelizmente, ao Célio não correu muito bem”, disse hoje Jorge Fonseca, o último a competir, fazendo um balanço da participação lusa.

Segundo o judoca do Sporting, a medalha de Telma foi o triunfo de todos: “Unidos somos mais fortes, dentro e fora do tapete. Temos de cuidar uns dos outros e saber que se um português ganhar, ganhamos todos”. “A vitória da Telma deixou-nos felizes a todos. Eu estou feliz pela Telma, apesar de estar triste por ter perdido. É uma miúda que trabalha bastante. Acompanhei o trabalho dela e estou feliz por ela. E quero que nós, os mais jovens, tenhamos um futuro como ela”, frisou.

Ainda assim, muitas foram as lágrimas pelas derrotas nos ‘tatamis’ do Rio2016, que Jorge Fonseca quer ver transformadas em grandes resultados dentro de quatro anos, deixando mesmo promessas de mais medalhas. “O judo português está a evoluir bastante. Há muitas coisas que temos de melhorar, mas prometo que em Tóquio2020 o judo português vai evoluir bastante. Não vamos ter uma medalha, vamos ter muitas mais, porque estamos a trabalhar para isso”, frisou o judoca ‘leonino”.

Jorge Fonseca acredita que, todos juntos, os judocas lusos podem dar a volta às derrotas sofridas no Rio2016: “Acredito que os meus colegas estão a sofrer imenso como eu e que vamos dar tudo em Tóquio”. “Neste momento, sabemos que todos juntos, unidos, seremos mais fortes. Acredito que em Tóquio vai correr melhor, vamos estar mais focados e não vai acontecer o que aconteceu hoje. Somos uma família, independentemente de sermos do Benfica, Sporting ou FC Porto. Isso não importa. O importante é que somos unidos”, finalizou.

Individualmente, Telma Monteiro foi, claramente, o grande destaque, sendo para já o maior de toda a delegação portuguesa, e conseguiu metade dos triunfos, ao bater a neozelandesa Darcina Manuel (yuko), a francesa Automne Pavia (ippon) e, no combate para o bronze, a romena Corina Caprioriu (yuko).

Pelo meio, nos quartos de final da categoria de -57kg, a judoca de 30 anos, que cumpriu a sua quarta participação nos Jogos, perdeu com a mongol Sumiya Dorjsuren, a número 1 Mundial, no ponto de ouro, por penalização.

Depois de cinco medalhas em Mundiais e 11 em Europeus, a melhor judoca portuguesa de ‘todos os tempos’ arrebatou, finalmente, o tão desejado ‘metal’ olímpico, depois do 12.º lugar de Atenas2004 e do nono em Pequim2008, ainda na categoria de -52kg, e do 17.º em Londres2012.

O segundo maior destaque do judo luso vai para Sergiu Oleinic, que, na sua estreia olímpica, começou por superar o ucraniano Georgii Zantaraia, campeão do Mundo em 2009, por yuko.

Na segunda eliminatória de -66kg, o atleta do Sporting caiu perante o dominicano Wander Mateo, mas apenas no ponto de ouro, por ippon.

À segunda ronda, ou oitavos de final, chegou também Joana Ramos, na categoria de 52kg, ao bater Antoinette Gasongo, do Burundi, para, depois, tombar perante chinesa Yingnan Ma, que ganhou por ippon.

Por seu lado, Jorge Fonseca conseguiu hoje a mais rápida vitória lusa no Rio2016, na categoria de -100kg, ao bater o afegão Mohammad Tawfig Bakhshi por ippon, em escassos nove segundos, mas numa eliminatória preliminar.

Na primeira ronda, o 29.º do ‘ranking’ mundial ainda liderou muito tempo o combate com o checo Lukas Krpalek, campeão mundial em 2014, mas acabou por perder, ao sofrer um waza-ari a 22 segundos do fim.

Por seu lado, Nuno Saraiva (-73kg) e Célio Dias (-90kg) caíram logo no primeiro combate, perante o húngaro Mikos Ungvari, 19.º do ‘ranking’ mundial e medalha de prata nos -66kg em Londres2012, e Celtus Dossou Yovo, do Benim, respetivamente.

Conteúdo publicado por Sportinforma