Rio2016

11-08-2016 11:44

Um ouro histórico, sem bandeira, nem hino nem festa

Al Deehani fez história com ouro no tiro mas não festeja no pódio.
Fehaid Al Deehani
Foto: AFP

Fehaid Al Deehani

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

Esta quarta-feira fez-se história nos Jogos Olímpicos: pela primeira vez um atleta independente venceu uma medalha de ouro. O feito foi protagonizado por Fehaid Al Deehani, um atirador do Kuwait, que arrecadou o ouro no duplo fosso olímpica, do tiro desportivo. Anteriormente, em Barcelona1992, dois atletas competindo com bandeira neutra, tinham conseguido medalhas de bronze prata também no tiro.

Fehaid Al Deehani é o atleta kuwaitiano mais medalhado de sempre, ele que vai na sua 6.ª participação em Jogos Olímpicos. O atirador de 49 anos já tinha conquistado o bronze em Sydney 2000 (fossa dupla) e em Londres 2012 (fossa) mas desta vez não pode representar o seu país. Algo que o magoou e muito.

Isto porque o Comité Olímpico Internacional proibiu a participação do Kuwait no Rio2016, devido a interferência do poder político no movimento desportivo. O atirador recorreu da decisão e foi autorizado a competir no seio do grupo de atletas independentes (IOC), juntamente com os refugiados, por exemplo.

Mas Fehaid Al Deehani, um militar de profissão, nunca esqueceu o seu país. Na cerimónia de abertura da 31.ª olimpíada da era moderna, recusou-se a entrar no Estádio com a bandeira neutra, apesar do pedido do Comité Olímpico Internacional.

"Sou militar. A única bandeira que irei carregar é a bandeira do Kuwait. Não vou levar a bandeira neutra", disse aos media dos seu país, logo após a cerimónia de abertura dos Jogos do Rio de janeiro. A bandeira neutra é a usada pelos atletas com estatuto de refugiados e os outros que tiveram autorização especial do COI devido a impedimento de participação dos seus países.

Vestido com um polo azul, Fehaid Al Deehani recusou-se a festejar sob o hino do COI no pódio e ´disparou` contra os políticos do Kuwait.

"Isto é para o meu país, para as pessoas que não nos querem ver nos Jogos Olímpicos. Estou a mostrar-lhes que estamos aqui e que temos uma medalha", disse, visivelmente emocionado.

"Magoa muito. Nem consigo descrever a minha dor. É muito triste [não ouvir o hino do Kuwait]", sublinhou.

Esta foi a terceira vez que o Kuwait foi suspenso pelo COI ou pela FIFA desde 2007, por interferência governamental no desporto. O país recorreu ao TAS mas acabou por perder o recurso.

A suspensão tem como base o facto de o parlamento do Kuwait ter aprovado um conjunto de leis que dão ao Governo o poder de dissolver associações desportivas e federações.

Conteúdo publicado por Sportinforma