Rio'2016

13-08-2016 23:55

Gustavo Lima não fecha a porta à continuidade

O velejador de 39 anos admite continuar na modalidade, embora não esteja satisfeito com o rumo da vela.
Gustavo Lima, o veterano da Vela
Foto: Canal Olímpico

Gustavo Lima

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Gustavo Lima não fechou hoje totalmente a porta à hipótese de continuar na vela até Tóquio2020, mas assumiu que os músculos não acompanharam o querer da mente nos Jogos Olímpicos Rio2016.

"Hoje, é um dia de emoções. Ontem [sexta-feira] já foi duro, por causa do João Rodrigues, e hoje é provavelmente a minha despedida da classe Laser. Em termos pessoais, foi exatamente aquilo que eu queria: estar na quinta olimpíada, no Rio de Janeiro, a falar português, com muita gente a apoiar-me. E desta vez foi fantástico. Tive muito, muito apoio dos portugueses, de amigos, de gente por todo o Mundo. E, por ai, motivei-me ao máximo. Em termos desportivos, não foi aquilo que eu desejava", assumiu à agência Lusa.

Ressalvando que a classe Laser é complexa e que tem condicionantes em termos físicos, Gustavo Lima confessou que as dores musculares que sentiu foram imensas.

"O vento não cooperou, ou seja, não houve nenhum dia em que estivesse vento fraco e isso penalizou-me em termos físicos e tive esta quebra nas últimas três regatas. Por mais que eu quisesse, a minha mente quer, mas os músculos já não acompanham o andamento", lamentou o 22.º classificado no Rio2016.

Antes de cumprir a sua quinta presença olímpica, o velejador, nascido no Rio de Janeiro, tinha anunciado que estes seriam os seus últimos Jogos Olímpicos, no entanto, hoje, Lima não foi tão perentório. "Quando acabei os Jogos Olímpicos de Pequim, já tinha vontade de sair. Como a classe star ainda estava, mantive-me ativo nesse projeto e, depois, por uma infelicidade do meu parceiro, tive de voltar ao plano B, que era voltar à classe laser. Só treinei cinco meses e fiquei em 22.º [em Londres2012]. Meti na cabeça que não seria penalizante continuar mais quatro anos e queria melhorar esse resultado. Esse era um dos primeiros objetivos, o outro era ir à ‘medal race’ e, talvez, ambicionar uma medalha, mas para isso era preciso conjugar aqui uma série de situações que não aconteceram", explicou.

Sobre as condicionantes que poderiam pesar na sua decisão, o velejador de 39 anos realçou que a vela é um desporto muito especial em vários aspetos, nomeadamente o financeiro. "E nós sabemos que em Portugal temos muitas limitações orçamentais. Para fazer uma campanha olímpica de topo, temos de treinar 230/250 dias e a bolsa olímpica não é suficiente para nós vivermos e eu tenho de procurar outras soluções financeiras, como fiz nos últimos seis anos. Não há outra volta a dar", começou por enumerar, antes de partir para o segundo argumento que o leva a ponderar abandonar a vela.

"Não vou fechar a porta totalmente, mas acho que a vela está a caminhar por um caminho errado. Mas isso é uma outra política em que não vou entrar. É um problema que a federação vai ter de resolver", disparou, sem querer alongar-se na explicação da sua afirmação.

No entanto, Lima acabou por dizer que a vela e a sua classe em particular são uma das únicas modalidades em que é a organização a fornecer o material de competição. "Imagine o Rui Costa receber uma bicicleta… Não se iria adaptar. Nós temos esse problema, que vem de trás, nós já o conhecemos e eu não quero dar desculpa de nada, não é por aí que tive um mau resultado. Mas é algo especial que temos de ter em conta e eu e o Álvaro chegámos à conclusão que não estávamos a topo em termos de material. E isso vai ficar sempre na memória, como talvez uma vírgula que ficou na nossa história. Mas, repito, não quero dizer isto como desculpa, quero constatar um facto", frisou.

O quarto classificado em Pequim2008, que garantiu estar feliz e realizado com o seu percurso, escolheu como melhor memória esse resultado. "O quarto lugar em Pequim2008 foi doloroso, mas foi um quarto lugar. Fiz sexto, quinto e quarto por esta sequência, fui campeão do mundo, fui campeão da Europa, por um ponto não ganhei a medalha. Enfim. Esse ponto podia ter sido a glória, não foi, mas guardo boas memórias, sobretudo nas relações humanas. O que eu levo desta vida é uma realização pessoal e profissional muito grande. Por vezes, não corre como a gente pretende, mas há que aceitar que, as vezes, os adversários foram mais fortes do que nós", concluiu.

Conteúdo publicado por Sportinforma