Paralímpicos2016

03-09-2016 09:10

Rio recebe Jogos com muitos campeões, mas ´órfãos` de russos e de Pistorius

Em Londres, há quatro anos, a Rússia fez-se representar por 181 atletas e foi ‘só’ a segunda classificada no medalheiro, atrás da China.
Pistorius
Foto: AFP@GLYN KIRK

Pistorius

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Os Jogos Paralímpicos Rio2016 vão juntar 4.350 atletas, entre os quais muitos campeões empenhados em renovar títulos, mas sem os atletas da Rússia, excluída por doping, e Óscar Pistorius, um dos grandes rostos do desporto adaptado.

Depois de uns Jogos Olímpicos que correram bem em termos desportivos e, apesar de não deslumbraram, não dececionaram nos aspetos organizativos, o Brasil vai receber agora a maior competição mundial de desporto adaptada, que há várias edições aproveita grande parte das infraestruturas e do mediatismo olímpico.

Com um programa de 23 modalidades e que marca a estreia da paracanoagem e do paratriatlo, os Paralímpicos estão nesta edição ‘órfãos’ do velocista sul-africano Óscar Pistorius - o primeiro atleta duplo amputado a competir em Jogos Paralímpicos e Olímpicos –, que está detido desde 2014 pelo homicídio da namorada.

Fora das competições, que decorrem entre 07 e 18 de setembro, ficarão também os representantes russos, depois de uma inédita e severa decisão do Comité Paralímpico Internacional (IPC), de os excluir devido a questões de doping.

O organismo que tutela o desporto paralímpico foi mais radical do que o seu homólogo do desporto olímpico, que ‘apenas’ deixou a decisão de autorizar a participação russa ao critério das federações de modalidade.

Em Londres, há quatro anos, a Rússia fez-se representar por 181 atletas e foi ‘só’ a segunda classificada no medalheiro, atrás da China, com 102 subidas ao pódio, para receber 36 medalhas de ouro, 38 de prata e 28 de bronze.

Ao longo de 11 dias de competição, vão ser disputadas 528 provas, que distribuirão 265 medalhas no setor masculino, 225 no setor feminino e 38 coletivas.

Portugal vai marcar presença entre os 171 países, com 37 atletas, que vão competir em sete modalidades, empenhados em aumentar o palmarés de 88 medalhas.

No Rio de Janeiro, vários atletas podem aumentar substancialmente o seu pecúlio paralímpico e reforçar o estatuto de campeões. Na natação, a espanhola Teresa Perales, que em maio esteve no Funchal nos Europeus do IPC, pode igualar em número de medalhas Michael Phelps.

O norte-americano chegou aos Jogos Olímpicos Rio2016 com 22 medalhas e saiu da ‘cidade maravilhosa’ com 28. Teresa Perales pode igualar o nadador de Baltimore, se conquistar medalhas nas seis provas em que vai participar.

No entanto, o pecúlio da espanhola, de 40 anos, é menos ‘valioso’, uma vez que chega ao Rio com seis medalhas de ouro, seis de prata e 10 de bronze. O norte-americano soma 23 de ouro, três de prata e duas de bronze.

Ainda na piscina, a também norte-americana Jessica Long vai procurar o quarto título consecutivo nos 100 e 400 metros livres S8 e, a jogarem em casa, os brasileiros Daniel Dias e André Brasil, que juntos somam 14 medalhas paralímpicas, vão querer aumentar o número de conquistas.

No atletismo, modalidade em que Portugal tem em competição Luís Gonçalves, campeão mundial dos 400 metros T12 (deficiência visual), irlandês Jason Smith vai procurar sagra-se tricampeão paralímpico dos 100 e 200 metros T13 (deficiência visual).

A brasileira Terezinha Guilhermina, que se tornou ainda mais conhecida depois de ter participado numa prova com o jamaicano Usain Bolt como atleta-guia, vai procurar aumentar o palmarés de seis medalhas paralímpicas.

Na esgrima em cadeira de rodas, Yu Chui Yee, de Hong Kong, quer aumentar o pecúlio de sete medalhas de ouro que já possui, às quais junta 11 títulos mundiais.

Á semelhança dos Olímpicos, os Jogos Paralímpicos contarão também com uma seleção de refugiados, formada pelo nadador sírio Ibrahim Al Hussein – que há três anos perdeu uma perna na sequência de um ataque com mísseis na Síria - e o lançador de disco iraniano Shahrad Nasajpour.

Os Jogos contarão também com três atletas que há menos de três semanas competiram nos Jogos Olímpicos: a polaca Natalia Partyka e australiana Melissa Tapper, do ténis de mesa, e a iraniana Zahra Nemati, no tiro com arco.

Portugal, que somou em Londres2012, a participação menos medalhada de sempre, com dois bronzes e uma prata, vai ter no Rio de Janeiro a terceira maior representação de sempre e estrear-se nas modalidades de judo e tiro.

Conteúdo publicado por Sportinforma