Volta a Portugal

31-07-2010 10:32

Adeptos acampam dias antes na Senhora da Graça à espera dos ciclistas

A Senhora da Graça, Mondim de Basto, é habitualmente um local religioso mas em plena Volta a Portugal em bicicleta os peregrinos são os aficionados da modalidade, que muitos dias antes acampam pela encosta para guardar o melhor lugar.
Adeptos acampam dias antes na Senhora da Graça à espera dos ciclistas

Por Sapo Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

São muitas as curvas apertadas que levam ao cume do Monte Farinha, a 947 metros de altitude e onde termina uma das mais míticas etapas da Volta a Portugal em bicicleta.
Aqui no alto a vista perde-se pelos vales e serras de belas paisagens e as pedreiras que esventraram as encostas, aqui mistura-se a religião e o ciclismo.

O santuário da Senhora da Graça é um local religioso mas foi o ciclismo que a divulgou por todo o país.

E é nestes dias de peregrinação, dos religiosos ou dos aficionados do ciclismo, que Carlos Pereira faz mais negócio no restaurante que explora há cinco anos junto ao santuário.

“O dia da Volta é um dos dias grandes. É um dia que não conseguimos rentabilizar o serviço porque temos pela falta de condições não só do restaurante como do espaço da Senhora da Graça. Isto é muito pequeno e no dia fica completamente fechado”, afirmou à Agência Lusa.

Conceição Barroso vive e trabalha há 34 anos numa loja de artigos religiosos. “Vem aqui muita gente de muito lado, de verão ou inverno, e as portas têm que estar abertas de segunda a segunda”.

Esta comerciante explicou que no dia em que a prova maior do ciclismo nacional sobre à serra “é só latas”. “Agora vêem-se pedras, não é? No dia é só carros, carros, carros e gente espalhada por aí”, sustentou.

Para Conceição Barroso, “a Senhora da Graça está mais divulgada devido ao ciclismo, mas antes de este vir já a santinha existia cá”, afirmou.

Segundo o guarda do santuário, Salvador Barroso, três ou quatro dias antes da Volta as pessoas começam a espalhar-se pelos morros e beira da estrada e montam as “suas roulottes, barracas ou tendas de campismo”.

Há muitos outros que optam por vir no próprio dia, de carro, a pé ou de bicicleta.

Adriano da Silva, de Fermil de Basto, fez questão de ir mostrar o santuário ao amigo Carlos Caetano, de Matosinhos, e unanimemente afirmaram à Lusa que “a Volta a Portugal sem a Senhora da Graça não é a Volta a Portugal”.

Adriano já assistiu ao vivo à subida dos ciclistas mas Carlos apenas viu pela televisão.

“Posso imaginar o dia de festa que será aqui com a Volta a Portugal. Deve ser um mundo”, afirmou Carlos Caetano.

Adriano acrescenta logo que o “ambiente é muito engraçado, muito bonito, têm aqui muitos tendeiros, muita gente, bebem a cervejinha, são garrafas por todo o lado”: “É uma maravilha”.

A este fã do ciclismo só lhe falta vir dormir uma noite ao Monte Farinha na véspera da etapa de Mondim de Basto: “O meu filho está sempre a pedir-me mas ainda não deu”.

Amândio Monteiro, de Vila Real e emigrante em França, gosta de subir ao Monte Farinha e desta vez fez questão de vir acompanhado por toda a família.

“Gosto de ver a paisagem. Lá em França vivemos sempre dentro da cidade. E sempre que aqui venho faço a associação ao ciclismo. Depois, em casa, é engraçado ver na televisão que onde eles estão a passar é onde a gente já esteve”.

A prova tem início a 04 de Agosto em Viseu e termina dia 15, em Lisboa.