Volta a Portugal

01-08-2010 10:03

Aceitam-se apostas contra Blanco

A 72.ª Volta a Portugal em bicicleta tem um pelotão enfraquecido face às edições anteriores e esse factor eleva o espanhol David Blanco à condição de super-favorito, mas haverá candidatos a tentar negar essa evidência.
Aceitam-se apostas contra Blanco

Por Sapo Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

No espaço de dois anos, o desaparecimento do Benfica, que abandonou a modalidade, e da LA-MSS e da Liberty Seguros, por questões de doping, ‘esfarraparam’ o pelotão luso. Das cinco equipas sobreviventes, o Palmeiras Resort-Tavira, com o galego à cabeça, está acima das demais.

Das oito formações estrangeiras, só a Carmiooro, com o italiano Emanuele Sella e o espanhol Sérgio Pardilla, parece capaz de se intrometer nesta disputa ‘doméstica’ que vai animar as estradas portuguesas entre 4 e 15 de agosto, com partida em Viseu e final em Lisboa, e um total de 1613,9 quilómetros, sem passar pelo sul do país.

"Não gosto nem de pensar o que seria não vencer a Volta”, afirma David Blanco, que corre para igualar o ‘tetra’ de Marco Chagas, recordista de vitórias, um ano depois de um triunfo ‘amargo’, herdado do desclassificado Nuno Ribeiro, suspenso por doping.

Desta vez, não será importunado por Ribeiro ou Hector Guerra (igualmente suspenso), nem Ruben Plaza (Caisse d’Epargne) ou o ‘emigrante’ Tiago Machado (RadioShack), mas haverá rivais apostados em travar o galego, de 35 anos, também vencedor em 2006 e 2008.

Um deles, porém, não é visto como tal. Cândido Barbosa “não é um inimigo, é um colega”, disse Blanco em relação ao companheiro de equipa, um ‘todo-o-terreno’ que persegue e sonha com o triunfo desde sempre, mas nunca passou do segundo lugar (2005 e 2007).

Também com 35 anos, o ‘Foguete de Rebordosa’, que ‘nasceu’ sprinter e se moldou até tomar a forma de um corredor mais completo, dá uma chefia bicéfala à equipa de Tavira, embora tenha de ser visto como alternativa ao espanhol, mais sólido na montanha e, sobretudo, no contra-relógio.

Para o português é a estrada que vai definir: “Consoante forem aparecendo as dificuldades, há um de nós que vai ceder, e esse poderá ficar em segundo plano”. Por isso, a sua preocupação prende-se com outros candidatos, como David Bernabéu, vencedor de 2004, e Rui Sousa (Barbot-Siper), Santiago Pérez e Constantino Zaballa (CC Loulé) ou Sérgio Sousa (Boavista).

Com um bloco mais poderoso, composto ainda por André Cardoso, Nelson Vitorino e Ricardo Mestre, a equipa algarvia aparenta ser uma ‘fortaleza’ imune aos ataques destes adversários, embora a Barbot, também com Bruno Pires e Sérgio Ribeiro, possa proporcionar uma luta interessante.

Numa prova que vai ser decidida nos locais do costume, ou seja, nas subidas à Senhora da Graça (4.ª etapa) e à Torre (7.ª) e no ‘crono’ (9.ª) – 32 quilómetros entre a Praia do Pedrógão e Leiria – Emanuele Sella e Sergio Pardilla surgem então como ‘jokers’ desta edição.

O italiano, com triunfos em etapas da Volta a Itália, é um bom trepador e não se atemoriza na luta solitária contra o cronómetro, enquanto o espanhol, primeiro na Volta a Madrid e segundo na Volta à Áustria, promete luta na montanha. O cazaque Andrey Kashechkin (Lampre) e o alemão Patrik Sinkewitz (ISD-Neri), vencedor de uma etapa no ano passado, surgem em segundo plano.