Corfebol

14-11-2012 10:02

Carla Antunes não poupa elogios aos seus jogadores

Leia a entrevista com a selecionadora nacional sub-23.
Carla Antunes não poupa elogios aos seus jogadores

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

Eis a entrevista que se impunha com a selecionadora nacional de sub-23 de Corfebol, Carla Antunes, após a participação da turma das quinas no Mundial da categoria, que se disputou em Barcelona.

Portugal alcançou o 7º. lugar na classificação geral, mas a participação nacional foi muito mais além do que aquilo que os números finais transmitem. Foi isso mesmo que nos disse Carla Antunes, uma das grandes figuras nacionais e internacionais da modalidade, e que estava naturalmente satisfeita e orgulhosa pela prestação dos «seus meninos e meninas», apesar de ter ficado o sentimento "amargo" de que se fez o suficiente para chegar um pouco mais além.

P. Que balanço faz da participação portuguesa no Mundial de sub-23?
R. Um balanço muito positivo, tendo em conta, que estávamos no grupo mais difícil. A classificação não representa o que atingimos nesta participação. Apesar do 7º lugar, Portugal teve o 4º melhor ataque, atrás da Holanda, Bélgica e China Taipé e 4ª melhor defesa.

P. Coletivamente, o que correu bem e o que poderia ter corrido melhor?
R. Coletivamente não podia ter corrido melhor. Fomos um grupo muito unido nos bons e nos maus momentos.

P. Individualmente, pode-se questionar a selecionadora nacional portuguesa acerca dos destaques individuais da nossa seleção?
R. O grupo foi quem mais se destacou e, de outra forma não alcançaríamos resultados tão positivos.

P. A derrota com a Catalunha na 1ª fase por apenas um golo de diferença (19-20) foi decisiva para não termos conseguido algo mais do que o 7º. lugar?
R. Não foi decisiva em termos pontuais, mas perdendo com a Catalunha tínhamos que ganhar obrigatoriamente contra a Bélgica ou China Taipé. Teoricamente, as hipóteses de sairmos vitoriosos desses jogos eram mínimas.

P. A derrota por apenas 3 golos de diferença (16-19) diante de uma das potências da modalidade, a Bélgica, foi o jogo mais bem conseguido por Portugal neste Mundial?
R. Foi um dos jogos bem conseguidos pela nossa seleção. Tal como os números mostram, fomos das seleções que melhor atacamos e melhor defendemos. O jogo da Bélgica pode ter sido uma surpresa para alguns, mas para quem trabalhou com este grupo, foi uma demonstração do seu valor.

P. Este resultado diante da Bélgica, enche de orgulho todos os portugueses. O que significou o mesmo para o grupo de trabalho e para a selecionadora nacional?
R. Encaramos este resultado de duas maneiras distintas. Acima de tudo, ficamos todos muito felizes por termos conseguido mostrar a todos o nosso real valor, e por outro lado, ficamos com a sensação clara que com mais um pouco de sorte em alguns momentos do jogo, podíamos ter ganho à Bélgica pela primeira vez na história do Corfebol português. Como selecionadora não podia ter ficado mais orgulhosa dos meus atletas, por terem conseguido gerir a derrota contra a Catalunha e terem encarado este jogo com uma seriedade e competitividade fora de série. Foram uns verdadeiros guerreiros, dentro e fora do campo. Não nos podemos esquecer que estes resultados não se alcançam apenas com os 8 atletas que iniciam o jogo. Dos jogadores que estavam no banco, saiu sempre um apoio incondicional.

P. O 7º. lugar alcançado por Portugal pode-se considerar uma boa ou má classificação final?
R. O 7º. lugar por si não é uma boa classificação. Encaro todas as competições com o objetivo de obter a melhor classificação possível. Ficámos em 7º. lugar, não foi a melhor classificação possível, mas foi o melhor que conseguimos, tendo em conta todas as circunstâncias.

P. Ainda na primeira fase voltámos a perder por um golo de diferença (22-21) diante da China Taipé, podemos falar em azar ou faltou maior capacidade de decidir a nosso favor nas alturas cruciais?
R. Mais um grande jogo que merecíamos ganhar, mas a nossa capacidade ofensiva não esteve no seu melhor no final do jogo.

P. Como analisa o jogo com a Inglaterra, que perdemos por 17-14?
R. Mentalmente foi um jogo muito difícil. Depois de termos perdido com a China Taipé a confiança dos jogadores ficou um pouco abalada. Juntando a isto, foi um jogo fisicamente muito desgastante. Tivemos muitas dificuldades em marcar golos e a Inglaterra teve mais sucesso nesse campo.

P. Como avalia o desempenho da nossa seleção a nível técnico, físico e psicológico?
R. A nível físico foi excelente, fizemos 7 jogos de grande intensidade e em nenhum se notou dificuldades a este nível. Tivemos a felicidade de poder contar com o apoio do Ricardo Costa que delineou toda a preparação física do grupo. A nível técnico, considerando os resultados alcançados na defesa e no ataque, estivemos ao nível dos primeiros classificados. No entanto, em momentos decisivos tivemos alguma dificuldade em concretizar. A nível psicológico também estivemos muito bem. Nunca nos deixamos abalar com as derrotas.

P. Que achou da qualidade geral deste Mundial?
R. Apesar de ter sido o mundial com o jogo que bateu o recorde de golos marcados, este também foi o mundial que demonstrou, que nem sempre aqueles que são melhores a nível tático e técnico são os que conseguem os lugares cimeiros. Faltou qualidade técnica e tática  a algumas seleções que disputaram as finais.

P. Que tem a dizer aos inúmeros adeptos portugueses que apoiaram e apoiam a seleção nacional de sub-23, nomeadamente ao famoso grupo de apoio no facebook denominado de "f5"?
R. Agradeço do fundo do coração. Estar a milhares de quilómetros de distância e sentir, que na vitória e na derrota, eles estão sempre do nosso lado é fantástico.

P. Quais as próximas etapas e metas desta seleção?
R. O ciclo como sub23 terminou para a maioria dos atletas. Desejo do fundo do coração que a maioria deles ascenda à seleção nacional sénior e, que nos continue a abrilhantar com desempenhos fantásticos como o que tiveram neste mundial.

P. Que tem a dizer acerca desta nova geração de jogadores portugueses e como pensa que vai ser o futuro do Corfebol em Portugal?
R. Temos um grupo de atletas muito jovem e, com um enorme talento! Isso só nos pode dar grandes esperanças e confiança no futuro. Temos tudo para conseguir alcançar a glória dos anos 95 e 98. Também nessa altura, com poucos atletas alcançamos muito. Jovens talentosos, atletas experientes e treinadores muito competentes, ingredientes mais do que suficientes para o Corfebol vingar em Portugal e no Mundo!