Presidente do COP

07-05-2013 07:47

A crise pode ter "efeito tsunami" no desporto português

Neste primeiro mês no «principal escritório» do COP, Constantino tem para já «procurado conhecer a casa e adaptá-la ao seu modo de ser».
A crise pode ter

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) mostra-se preocupado com o efeito que a crise está a ter no desporto português e fala em «efeito tsunami» caso clubes e associações comecem a fechar por falta de financiamento.

Em entrevista à agência Lusa, José Manuel Constantino, que cumpre um mês desde tomou posse como dirigente máximo do organismo, receia mesmo que a «vida desportiva em Portugal seja afetada a médio e longo prazo».

«Tenho receio, estou preocupado com o efeito que esta situação recessiva tem sobre a vida desportiva, nomeadamente sobre as associações e clubes, que estão mais abertos à situação hostil da própria economia. O encerramento de destas associações, clubes e coletividades vai ter consequências desastrosas na qualidade da prática desportiva», afirmou o presidente do COP.

O dirigente de 62 anos classifica mesmo essa situação como uma «espécie de tsunami», que mais tarde terá «consequências em todo o sistema desportiva a médio e longo prazo».

«Já temos uma situação desportiva frágil com o tecido associativo dependente de apoio externo e que viveu muitos anos dependente dos apoios das autarquias. O risco que corremos é de uma quebra significativa da atividade desportiva nacional», alertou.

Embora «consciente» das dificuldades que o país atravessa e sem exigências que sejam «descontextualizadas da realidade», José Manuel Constantino defende que é necessário dar «a melhor utilização possível» aos Centros de Alto Rendimentos que foram construídos na última década.

«Parece que dar o nome de Centro de Alto Rendimento a algumas destas unidades é excessiva, é excessiva a utilização desse conceito, mas temos que aproveitar o que temos e ainda mais nestes tempos, dar a melhor utilização possível», defendeu.

Neste primeiro mês no «principal escritório» do COP, Constantino tem para já «procurado conhecer a casa e adaptá-la ao seu modo de ser».

«Conto arrumar a casa e a pouco e pouco molda-la à minha maneira de ver os problemas», garantiu.

O primeiro licenciado em Educação Física (1975) a presidir o COP é um dos grandes pensadores do desporto em Portugal, tendo publicado vários livros e artigos sobre o tema.

Acumulou ainda vasta experiência na docência, tanto no ensino universitário (1994-2002), como no ensino básico, no início da carreira (1973-1986).

Atleta federado de futebol nos Leões de Santarém (1962-1967), chegou ao dirigismo apenas em 1985 como secretário técnico da direção do Sport Algés e Dafundo, passando posteriormente a assessor da direção da Federação Portuguesa de Halterofilismo (1986-1990).

Em 2000, o seu primeiro projeto de âmbito nacional quando assumiu a presidência da Confederação do Desporto de Portugal, cargo que abandonou em 2002 para comandar o Instituto do Desporto de Portugal (IDP).

Conteúdo publicado por Sportinforma com Lusa