Surdolímpicos

04-08-2013 17:31

O nadador de Brisbane que se sente mais português que australiano

Portugal fechou a competição com três medalhas conquistadas, nas modalidades de luta greco-romana, judo e taekwondo.
O nadador de Brisbane que se sente mais português que australiano

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

Portugal esteve representado por 13 atletas nos Jogos Surdolímpicos Sófia2013, um dos quais, o nadador Miguel Boura, nunca viveu no país, mas garante sentir-se mais português do que australiano.

«Sempre me senti mais português do que australiano e, nos últimos quatro anos, tenho ido mais vezes a Portugal», refere o nadador, de 19 anos, que nasceu e vive em Brisbane, na Austrália, onde frequenta o segundo ano de um curso de informática.

Em Sófia, Miguel Boura dividiu-se entre as provas na piscina e o computador, no qual foi acompanhando alguma matéria e enviando trabalhos pedidos pelos professores, com os quais foi sempre mantendo contacto.

«Estamos no início do semestre e, estando ausente, sinto que estou sempre atrás na matéria, às vezes é complicado», refere o nadador, que passa regularmente férias em Portugal com a família, que emigrou para a Austrália há mais de 20 anos.

Para poder competir nos Jogos Surdolímpicos e fazer a preparação final com os outros seis nadadores que integravam a seleção portuguesa, Miguel Boura fez alguns exames antecipados na faculdade.

No início de 2012, a mãe, que esteve em Sófia a acompanhar as suas provas, levou-o a Portugal para perceber se poderia tentar competir nos Jogos Paralímpicos, pois, além da surdez, Miguel Boura apresenta alguns problemas musculares.

Depois de realizados os exames de classificação, Miguel Boura foi integrado na classe S10, a menos severa da natação paralímpica, mas fez também mínimos para participar nos Jogos Surdolímpicos.

Numa avaliação posterior, acabou por perder a classificação paralímpica, o que o fez decidir-se a nadar com as cores portuguesas nos Surdolímpicos.

O nadador luso-australiano admite que a integração com a restante equipa não foi fácil, «porque a língua gestual australiana é diferente da portuguesa», mas garante que, com o passar do tempo, a adaptação «foi-se fazendo».

Começou a nadar aos três anos de forma terapêutica e é atualmente atleta do Albany Creek Swimming Club, mas tem outros interesses bem diferentes da natação, nomeadamente a escrita.

«Gostava de ser escritor», confessa Miguel Boura, que já venceu, na Austrália, o prémio literário Dorothy Shaw para jovens surdos.

O nadador faz um balanço muito positivo da sua participação nos Jogos Surdolímpicos, onde diz ter feito «grandes progressos, nomeadamente ao nível das marcas pessoais».

«Foi uma experiência fantástica participar nesta competição com pessoas de toda a parte do mundo. Gostava de repetir», afirma, apesar de admitir que a distância dificulta o contacto com os outros nadadores portugueses que estiveram consigo em Sófia.

No futuro imediato, quer descansar, dedicar-se aos estudos e desenvolver outras atividades como a escrita e a conceção de jogos de computador - a área da informática que o seu curso abrange.

Os sete nadadores que representaram Portugal nos Jogos Surdolímpicos que hoje terminam em Sófia fizeram cair 16 recordes nacionais, e várias marcas pessoais, não tendo, no entanto, conseguido marcar presença em finais.

Portugal fechou a competição com três medalhas conquistadas, nas modalidades de luta greco-romana, judo e taekwondo.

Conteúdo publicado por Sportinforma com Lusa