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19-09-2016 13:20

Federação de Ginástica apresenta livro que apela a reflexão sobre modelo do Desporto

A Federação de Ginástica de Portugal (FGP) vai apresentar, na terça-feira, na sede do Comité Olímpico de Portugal, o livro “O Desenvolvimento do Desporto: Gestão, Economia, Regulação”, de Fernando Tenreiro, pretexto para um debate sobre o modelo de desenvolvimento desportivo.
Par misto Inês Germano/João Martins na final de equilíbrio
Foto: D.R.

A dupla formada por Inês Germano e João Martins terminou hoje na quinta posição, com 79.330 pontos, a final do concurso completo de ginástica acrobática dos I Jogos Europeus, que decorrem em Baku, no Azerbaijão.

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Álvaro Sousa, vice-presidente da FGP, disse à agência Lusa que o livro vai ser o mote para três mesas redondas, em que técnicos, especialistas e líderes desportivos vão debater questões como “a organização das atividades desportivas”, as “necessidades e características do financiamento nacional” e “o governo do desporto pelas suas principais instituições privadas e públicas”.

O dirigente afirmou que a FGP aceitou ser “caso de estudo” para o livro do economista Fernando Tenreiro, com vasto trabalho de estudo e investigação na área do desporto, porque só com informação se podem “tomar melhores decisões”.

“Surpreende sempre quando vemos os números à frente e tomamos consciência de algumas realidades. Temos, por exemplo, de tentar perceber por que razão perdemos tantos filiados ao fim de determinado tempo e idade. Temos de moldar os nossos serviços para que a perda seja menor”, afirmou.

Fernando Tenreiro disse à Lusa que o livro resulta de um trabalho iniciado há dois anos. Dividido em quatro partes, começa por analisar o modelo de desporto europeu, concluindo que “Portugal ocupa um lugar menor sobre o qual importa pensar” e que, como acontece na Europa, é a aposta nas federações que pode levar o país “a convergir para os resultados médios europeus”.

O segundo capítulo debruça-se sobre a FGP, numa tentativa de “compreender as condições de gestão das atividades de uma federação desportiva para obter resultados de nível europeu, mundial e olímpico”, identificando “a complexidade da prática desportiva da população de todas as idades, segundo o sexo e as disciplinas dentro de cada modalidade”.

O economista realçou à Lusa o facto de as federações se verem confrontadas com questões como falta de instalações devidamente equipadas (paradigmático no caso da ginástica), de treinadores bem formados e de meios para uma padronização da atividade junto dos clubes.

A questão do financiamento público “para que clubes e associações assumam as suas responsabilidades de forma sustentada” é abordada na terceira parte, com Fernando Tenreiro a notar como Portugal “tem respondido mal” nesta questão, “levando clubes e federações a trabalhar em condições de défice contabilístico e mais tarde a falirem ou a produzirem atividades desportivas de fraca qualidade”, com repercussões nos níveis de prática desportiva da população.

Para Fernando Tenreiro, é preciso perceber porque é que apenas 40% da população portuguesa pratica desporto, quando na Europa a média é de 67%, porque só 11 a 12% do milhão de jovens em idade escolar praticam desporto regularmente, porque é que as mulheres constituem apenas um terço da participação federada.

Finalmente, o livro analisa a importância das instituições privadas e públicas para a obtenção de melhores resultados desportivos, salientando Fernando Tenreiro a necessidade de se melhorarem as políticas, de se valorizarem as federações, de trabalhar num plano a médio prazo para que, sabendo que Portugal “tem pouco dinheiro”, o possa investir “no que realmente é importante”.

“Se não houver uma transformação da política desportiva nacional, os responsáveis públicos terão em Tóquio os mesmos resultados de Londres e do Rio de Janeiro”, rematou.

Conteúdo publicado por Sportinforma