Modalidades

13-05-2017 10:20

Crianças de Luanda colocam delinquência em ‘xeque’ a jogar xadrez

Dezenas de crianças angolanas jogam diariamente xadrez na sede da associação provincial de Luanda da modalidade, que, apesar da carência de material.
Africano de xadrez
Foto: ANGOP

Africano de xadrez

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Dezenas de crianças angolanas jogam diariamente xadrez na sede da associação provincial de Luanda da modalidade, que, apesar da carência de material, aposta naquele jogo como forma de colocar a delinquência em ‘xeque'.

São crianças com idades compreendidas entre os cinco e os 15 anos que ali acorrem de segunda a sábado, sempre sob o olhar atento de um professor da associação, e muitas garantem dominar bem a modalidade.

É o caso de Carlos Makengo, que começou a jogar xadrez com cinco anos e que seis anos depois usa a concentração para levar de vencidos os adversários no xadrez.

"A modalidade é um pouco difícil, mas gosto. Estou sempre a vencer os meus adversários, porque basta pensar para vencer um jogo assim", contou à Lusa.

Mesmo sem o habitual relógio para cronometrar o tempo para idealizar cada jogada, as crianças não arredam pé e justificam que o xadrez é um desporto que ajuda a desenvolver o raciocínio.

Em declarações à Lusa, a secretária-geral da Associação Provincial de Xadrez de Luanda, Marisa Fernandes, explicou que apesar de falta de instalações próprias e de material, a instituição mantém a aposta na massificação da modalidade, sobretudo nas escolas e comunidade, com o intuito de afastar as crianças da rua e da delinquência.

"Diariamente temos aqui mais de 15 crianças a praticarem o xadrez, algumas já estão inscritas na associação e outras ainda estão como amadoras. Alguns pais ainda tardam em inscrevê-las", disse.

Fazer diariamente vários ‘xeque-mate' é, por exemplo, motivo de alegria para Nataniel Filipe de 12 anos, outro dos jogadores da associação de Luanda da modalidade.

"Gosto do xadrez por ser um jogo que me ajuda a pensar. Quando comecei a ver as pessoas a jogar também me interessei e agora pratico diariamente", relatou, recordando que joga há três anos.

Uma motivação partilhada por Júlia António, de 11 anos e jogadora desde os oito. "Entrei muito tarde para a escola, mas o professor ensina-nos muito bem e gosto muito do xadrez. É um bom desporto", conta.

De acordo com a secretária-geral da associação, apesar de alguns apoios de parceiros e da federação angolana de xadrez, a associação continua a carecer de material desportivo para aumentar o número de praticantes.

"Precisamos de peças, tabuleiros, relógios, folhas de anotação. É um material caro, principalmente o relógio. Apesar da carência, procuramos manter algum ritmo com os meios que temos à disposição, porque sabemos que o xadrez ajuda no intelecto da criança", realçou.

A Associação Provincial de Xadrez de Luanda, segundo Marisa Fernandes, controla cinco clubes e doze núcleos de xadrez espalhados pela capital angolana.

Conteúdo publicado por Sportinforma