Surf

18-05-2017 09:26

Irmãos Henrique otimistas na conquista do título mundial

O campeonato Mundial de surf será disputado em Biarritz, França, entre os dias 21 e 28 de maio.
Carol Henrique
Foto: Pedro Mestre/ANS

Carol Henrique

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Os irmãos Carol Henrique e Pedro Henrique manifestaram o desejo de conquistar o título Mundial de surf em Biarritz, França, lamentando, por outro lado, que os jovens talentos de Portugal não sejam aproveitados para o panorama internacional.

Depois de dois anos consecutivos [2015 e 2016] como vice-campeões mundiais da modalidade, a atual campeã nacional começou por recordar com orgulho o título perdido na Costa Rica, em 2016, mas mostrou-se confiante na conquista da prova, que irá decorrer entre os dias 21 e 28 de maio no sul de França.

"Na Costa Rica foi um campeonato incrível, toda a equipa esteve unida até ao último dia e éramos a equipa que mais tinha chances de ser campeã. Conseguimos ser vice-campeões do mundo e foi um resultado muito bom. Este ano, na Europa, vai mudar completamente em relação àquilo que foi na Costa Rica, como as ondas, mas estou com boas expetativas. Portugal vai ser bem representado", relembrou em entrevista à Agência Lusa.

Além dos irmãos nascidos no Brasil, a seleção nacional terá também a companhia dos surfistas Guilherme Fonseca e Miguel Blanco, bem como da bicampeã nacional, Teresa Bonvalot, e do vice-campeão, José Ferreira. A atual número um de Portugal considera que as condições das praias europeias são mais adequadas ao estilo de surf dos portugueses.

"Acho que por ser na Europa temos um pouco de vantagem, da mesma forma que quando é na América Central as equipas da Costa Rica, Nicarágua, Panamá têm vantagem por estar próximo. Em Biarritz, e pelo que eu já ouvi, é um mar que muda bastante e a adaptação vai ser uma coisa que vai contar muito. O ISA [World Surfing Games] é um campeonato muito longo, de resistência, a água é fria, não tem o tropical nem o tempo muito húmido. Vai ser um campeonato interessante", argumentou.

A 10.ª classificada do circuito de qualificação acredita que a França será uma seleção "muito forte" por disputar o Mundial "em casa", porém sublinha que estará "mais pressionada e com todos os olhos apontados".

Carol Henrique não deixou de enaltecer a "vantagem" de poder contar com o irmão Pedro na equipa, referindo que a "sensação de estar em família e sua experiência" serão fatores importantes.

Sobre o selecionador luso, Carol desfez-se em elogios: "O David [Raimundo] é aquele treinador que nunca desiste. Está sempre ali até ao último ?heat', até ao último minuto e, no ano passado, esteve sempre a acreditar que poderíamos ser campeões. Isso puxa por nós e passa muita energia para os atletas."

Por sua vez, o irmão Pedro e também atual campeão nacional, reiterou que o "foco e o objetivo passa por trazer o título para Portugal", destacando a "força e a união" da comitiva lusa.

Pedro Henrique recusou apontar a seleção portuguesa como principal candidata à vitória na praia gaulesa, alertando que todas as seleções levarão "bons atletas com experiência internacional" e que o "momento" na 'bateria' poderá ser decisivo.

O surfista luso-brasileiro, que representa a bandeira nacional desde 2015, abordou também o panorama nacional do surf português e criticou as marcas que não apoiam e que se recusam a patrocinar os talentos nacionais, admitindo que passa por dificuldades para se impor no WCT [Circuito Mundial].

"No primeiro ano eu fui campeão europeu (Casablanca, em 2015) não tive nenhum apoio em Portugal dos principais patrocinadores. Falta um investidor, uma empresa, o patrocinador principal tem que ser português. Nós temos grandes surfistas, grande potencial, grandes ondas e grandes eventos, mas não temos grandes surfistas a competir", lamentou o surfista de 34 anos, que já esteve na 'elite' em 2006.

Por fim, a mais nova atleta da seleção nacional e bicampeã nacional, Teresa Bonvalot, prometeu ajudar a equipa com o seu "melhor" surf, no entanto, espera uma semana "muito intensa e com altas ondas".

"A seleção vai estar preparada para esta semana intensa, porque é mesmo intensa, com vários ?heats'. Espero que todos deem o seu melhor porque eu vou dar, tentar trabalhar em equipa e dar o máximo de pontos à seleção. França tem altas ondas, o mar é um bocado parecido com Portugal e, nesta altura do ano, a água já não é tão fria como há uns meses atrás. Espero que a mãe natureza nos mande boas ondas e que seja um bom campeonato", declarou a número 55 da hierarquia do circuito de qualificação.

O campeonato Mundial de surf será disputado em Biarritz, França, entre os dias 21 e 28 de maio.

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