Estudo do ISCTE

31-05-2017 15:35

Lisboa não tem pavilhão para grandes eventos desportivos, mas não o vê como prioridade

diagnóstico feito pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) sobre o posicionamento da capital em termos desportivos destaca a falta de um pavilhão capaz de acolher grandes eventos, necessidade que a Câmara reconhece, mas que não vê como prioridade.
Nuno Pereira (D) do ABC/UMinho remata à baliza
Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Jogo disputado no Pavilhão do Casal Vistoso

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Um diagnóstico feito pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) sobre o posicionamento da capital em termos desportivos destaca a falta de um pavilhão capaz de acolher grandes eventos, necessidade que a Câmara reconhece, mas não vê como prioridade.

“Lisboa de facto, em termos municipais, não tem nenhum pavilhão com essas características. Vamos ter um pavilhão em breve, que é do Sporting, que terá 3.000 lugares e já permitirá a existência de provas que não são possíveis de fazer em Lisboa, mas sendo um pavilhão de um clube há aqui algumas limitações na sua utilização”, afirmou o vereador do Desporto da Câmara de Lisboa, Jorge Máximo.

O autarca falava à agência Lusa sobre um estudo feito pelo INDEG-ISCTE a pedido do município, no âmbito da candidatura de Lisboa a Capital Europeia do Desporto 2021, que focou as vertentes do espetáculo e da participação em termos desportivos.

Após terem sido ouvidos potenciais organizadores de eventos sobre a receção de acontecimentos de maior dimensão, chegou-se à conclusão de que “a cidade tem dois estádios de futebol de última geração, um grande pavilhão multiusos (Meo Arena) e boas condições para eventos junto ao rio”, mas faltam “condições para a realização de grandes eventos”, assinala o ISCTE numa versão síntese do estudo, a que a Lusa teve acesso.

Por esta poder ser uma “oportunidade para transformar territórios, como foi o caso da Expo”, os investigadores recomendam à Câmara de Lisboa a “construção de um pavilhão com capacidade superior a 5.000 lugares, que possa atrair modalidades ‘indoor’, dada a constante ocupação e o custo elevado do Meo Arena”.

Em reação, Jorge Máximo referiu que esta opção “neste momento não é uma prioridade” e teria de ser analisada em termos de financiamento e de rentabilização.

O autarca destacou, contudo, o investimento que tem vindo a ser feito nas cerca de 1.600 infraestruturas desportivas da cidade, entre as quais “pavilhões de base local”.

Uma deles é o pavilhão do Casal Vistoso, que “tem uma capacidade relativamente reduzida, de 1.500 lugares”.

Já questionado sobre a capacidade de o recentemente reinaugurado Pavilhão Carlos Lopes acolher eventos de maiores dimensões, assinalou que isso não é possível dada a sua “fisionomia e estrutura”.

Para isso acontecer, a intervenção que terminou no início deste ano deveria ter implicado “demolições laterais para que [o pavilhão] pudesse crescer para cumprir os regulamentos legais”, opção que não foi tomada, apontou Jorge Máximo.

Outras das recomendações do estudo, ainda no que toca aos acontecimentos de maior dimensão, é que a autarquia tente evitar “comportamentos especulativos de preços da hotelaria, que prejudicam a imagem da cidade e afastam outros possíveis eventos” e que aposte num sistema de transportes públicos “mais amigo para espetadores e praticantes”.

Já relativamente à prática desportiva, a outra vertente em foco, chegou-se à conclusão de que as motivações evoluem ao longo da vida, com os mais velhos a darem mais importância à questão da saúde e não tanto à competição, segundo a perceção de 230 treinadores e dirigentes.

As conclusões, apresentadas hoje no ISCTE, em Lisboa, servirão para “construir um programa estratégico a médio prazo”, adiantou Jorge Máximo.

Paralelamente, a autarquia está a ultimar a carta desportiva da cidade, um levantamento que durou três anos a ser feito e que reunirá informações sobre todos os espaços numa base de dados ‘online’, onde serão também publicados itens de agenda.

Conteúdo publicado por Sportinforma