Circuito Estoril

15-03-2017 20:48

Gestor público usou cartão de crédito em despesas pessoais 'por distração'

Antigo administrador do Autódromo do Estoril admite ter usado cartão da empresa para gastos pessoais.
Transação do Autódromo do Estoril
Foto: Lusa

Antigo administrador do Autódromo do Estoril admite ter usado cartão da empresa para gastos pessoais.

Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt

Domingos Piedade, antigo presidente do conselho de administração da Circuito Estoril, empresa estatal que explora o Autódromo do Estoril, admitiu hoje em tribunal ter usado o cartão de crédito da empresa em despesas pessoais, mas por "distração"

O antigo presidente do conselho de administração da Circuito Estoril está a ser julgado pelo Tribunal de Cascais, juntamente com uma antiga administradora, Isabel Brazão, pelos crimes de abuso de poder, falsificação de documentos e peculato.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), os dois antigos gestores da Circuito Estoril (CE), detida desde 2002 pela Parpúblca, 'holding' do Estado, utilizaram, entre 2007 e 2012, o cartão de crédito da empresa em despesas pessoais e receberam vencimentos adiantados que acabaram por não ser autorizados pelas Finanças.

Os arguidos, além de um salário entre 3.528 e 3.885 euros, tinham um cartão de crédito com 'plafond' até 7.500 euros para despesas ao serviço da CE. O MP acusa os ex-gestores de utilizaram o cartão de crédito "para pagamento de despesas pessoais" e "levantamentos".

A acusação refere que Domingos Piedade terá usado indevidamente 37.900 euros, dos quais o ex-gestor ainda terá em dívida 14.600 euros (8.600 relativos ao adiantamento de vencimentos e 5.900 de despesas consideradas pessoais).

Na primeira sessão do julgamento, Domingos Piedade admitiu ao coletivo de juízes ter utilizado o cartão de crédito da empresa para a realização de algumas despesas pessoais, nomeadamente de cabeleireiro e propinas da faculdade do filho, mas ressalvou que o fez por "distração".

"O meu cartão pessoal era do mesmo banco e da mesma cor. Houve situações em que usei o da empresa por mero engano. Não tinha mesmo consciência do que o estava a usar", alegou.

Por outro lado, Domingos Piedade alegou que algumas despesas que tinham sido consideradas pessoais, como o pagamento de hotéis, medicamento e cartões de telemóveis, tinham sido feitas em representação da Circuito Estoril.

"Eu estive muitos anos na Alemanha e há muitas coisas que faço que podem não ser consideradas aqui normais", afirmou.

No despacho de acusação, o MP frisa que Domingos Piedade e Isabel Brazão continuaram a usar o cartão de crédito mesmo depois de o Governo, em março de 2012, proibir essa prática aos gestores públicos.

Questionado sobre esse facto pela juíza presidente, o antigo responsável da Circuito Estoril ressalvou que se assim não fosse "muitas despesas essenciais não poderiam ser feitas", como "reservar um hotel ou alugar um carro".

Durante a sessão da manhã foi ouvida Isabel Brasão, que negou os crimes que lhe são imputados e que, à semelhança de Domingos Piedade, alegou que a utilização do cartão de crédito da empresa para despesas pessoais foi feita "por lapso".

A próxima sessão do julgamento, durante a qual continuará a ser ouvido Domingos Piedade, está marcada para o dia 03 de abril, pelas 14:00, no Tribunal de Cascais.

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