10-11-2009 10:01

BENFICA REGRESSA AO TOPO

Ontem, ia havendo escândalo na Luz.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Mais de 40 mil almas desesperavam com a persistência figueirense, posta de parte que estava já a história da goleada inicialmente admitida. Naquela altura, a escassos minutos do fim, a família encarnada não era tão pródiga no pedir. Ansiava por um golito, um só, que lhe desse os três pontos e, com eles, lhe permitisse cavar distâncias em relação à concorrência.

Com Jesus por interlocutor, está provado, a prece torna-se mais fácil. Mesmo ao cair do pano, o pedido foi lá do alto atendido, como ficou provado naquele cabeceamento de Javi Garcia, nas alturas, a tornar desnecessária a estirada de Peiser. Assim conseguiu o Benfica a sua vitória (1-0) sobre a muito batalhadora equipa da Naval. Que lhe permitiu igualar o Braga no comando da prova.

O jogo não teve grande história. Os encarnados pressionaram desde o princípio e criaram ocasiões bastantes para chegar à vantagem. Contudo, na baliza da Naval esteve um guarda-redes francês muito inspirado, Romuald Peiser de seu nome, que a tudo se opôs com galhardia e pundonor, se os termos são suficientemente sonantes para caracterizar um trabalho que, por junto, rendeu umas sete defesas de categoria especial, afora os trocados.

O principal desinquietador voltou a ser Di Maria e o seu desconcertante pé esquerdo. Saviola também deixou a sua marca, num remate ao poste, mas foi Javi Garcia que, pela frequência, mais surpreendeu no capítulo do remate, assinando (com um bom "cursivo", diga-se) finalizações de muito respeito.

Face às ausências de Ramires e Cardozo, foram Amorim e Nuno Gomes os eleitos, voltando Coentrão à lateral esquerda, com Di Maria a completar o flanco. No resto, as figuras de proa do costume, que o momento não está para grandes invenções. Perante isto que fez a Naval?

Augusto Inácio, o experiente técnico da formação da Figueira da Foz, optou naturalmente por se apresentar reforçado à retaguarda, com uma segunda linha, próxima daquela, igualmente compacta e, na frente, Kerrouche e, às vezes, Marinho. Se não era o tal autocarro, não andava muito longe disso.

O Benfica sentiu sempre enormes dificuldades em entrar na área com a bola controlada, face ao bom (e denso) escalonamento defensivo contrário. E, nos "chuveirinhos" a que é norma recorrer nestas circunstancias, Gomis e Diego Ângelo estiveram muito bem, beneficiando também da ausência de Cardozo, que, no jogo aéreo, teria certamente uma palavra a dizer.

Di Maria voltou a fazer tremer o poste, mas, aos 88 minutos, já com as apostas atacantes todas jogadas e sem grandes vantagens que se visse, a resistência ruiu mesmo. Di Maria, sempre ele, marcou um livre e Javi fez o golo que levantou o estádio. Na resposta, Simplício, num remate acrobático, esteve quase a fazer o empate, o que teria constituído grande injustiça, se se atender à evidente diferença de produção das duas equipas.

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