18-01-2010 18:02

BRAGA E BENFICA ACELERAM

FC Porto atrasa-se na corrida para o título.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Vencendo os seus jogos da ronda de abertura da 2ª volta, Braga e Benfica dilataram para seis pontos o avanço sobre o FC Porto, que, sábado, frente ao P.Ferreira, não fora além de um empate. Apesar das dificuldades que se adivinhavam, os bracarenses ganharam (2-0) em Coimbra, enquanto o Benfica foi ao Funchal golear o Marítimo, por 5-0.

Em ambas as partidas, os vencedores terminaram com mais jogadores em campo do que os seus adversários. E se a Académica se viu reduzida a 10 unidades já muito perto do fim, no Funchal, pelo contrário, as duas expulsões que vitimaram o Marítimo ocorreram ainda no 1º tempo, condicionando, naturalmente, o desenrolar do jogo. Importa, porém, sublinhar que os dois árbitros ajuizaram correctamente.

Porquê, então, esta sensação de injustiça, de exagero, que subjaz à actuação de João Ferreira, no Marítimo-Benfica? Afinal, o juiz da partida, que começou por expulsar o jogador da casa, Olberdam, por palavras - por certo consideradas injuriosas - limitou-se a aplicar o que a lei prevê para estes casos, embora a uniformidade de critério esteja longe de se verificar.

Dirão alguns que, se por cada palavrão se mostrar um cartão vermelho, não há jogo que chegue ao fim com jogadores em número suficiente. Mas isso é formular mal a questão. O problema é que, por cá, se convencionou, abusivamente, que insulto é desabafo, quando o regulamento sobre a matéria não concede tão ousada interpretação. Nem o árbitro, tocado por comovente tolerância, é obrigado a exibir ouvidos de mercador, em nome daquilo que muitos apelidam de "bom senso". No fundo, o que nós estamos é mal habituados.

Dos jogos há que dizer que, no Funchal, o Marítimo começou melhor, teve uns 20 minutos de ascendente, sem, contudo, afligir muito Quim, à excepção de um desvio de D.Luiz, que quase traía o seu guarda-redes. Mas da primeira vez que chegou a sério à baliza contrária, o Benfica marcou, por Saviola, a corresponder a solicitação de Cardozo e com Peçanha desamparado a fazer os impossíveis.

A tal expulsão de Olberdam veio logo a seguir e o 0-2 também, obra de Maxi, após lance de Di Maria. Ainda no 1º tempo, nova expulsão (Robson), por jogar a bola com o braço dentro da área. Cardozo transformou o castigo e arrumou a questão. A ganhar por 3-0 e contra nove, o Benfica limitou-se a gerir o jogo e a rodar jogadores, acabando por atingir sem surpresa os 5-0.

Em Coimbra, a Académica ofereceu excelente réplica ao líder, não concedendo espaços ao ataque contrário, mas também não conseguindo inventá-los junto da baliza de Eduardo. Já perto do intervalo, o contacto do braço de Pedrinho com Mossoró levou Lucílio Baptista a considerar grande penalidade, embora ficasse por demonstrar se a intensidade do gesto justificava a marcação do castigo.

Depois de Meyong ter feito o 0-1, Cris teve ocasião soberana para igualar, mas falhou a pontaria. No 2º tempo, a Académica reforçou o ataque, mas a última alteração, mais audaciosa (João Ribeiro por Rafael), fragilizou o flanco esquerdo da sua defensiva. Foi por aí que Matheus, que rendera Meyong, se esgueirou para obrigar o guardião Nereu a jogar com a mão, fora da área.

Expulsão correcta e Licá para a baliza, uma vez que as substituições estavam já esgotadas. Na marcação do livre, o mesmo Matheus fixou o resultado, num pontapé que, deu a ideia, um guarda-redes "normal" saberia deter. Uma vitória que também não oferece discussão, apesar do tal "penalty" deixar algumas dúvidas. Mas o Braga está, de facto, com um conjunto que revela grande solidez.

Opinião