21-05-2010 22:02

OLIVEIRENSE: UM EXEMPLO

Momentos de pausa para recordar a época.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Agora que os campeonatos entraram definitivamnte de férias e as atenções se viram para um Mundial cada vez mais próximo, é a altura ideal para lançar um derradeiro olhar sobre alguns episódios nacionais, que, no momento do "fecho", não terão sido devidamente sublinhados.

Lembrei-me, por isso, de falar hoje da Oliveirense. Eu explico. O campeonato principal foi assunto que, naturalmente, alimentou páginas e páginas de jornais e tempos e tempos de antena nas rádios e Tv`s. Este ano, a guerra entre Benfica e FC Porto foi de mais, para pior, valendo a grande cruzada do Braga, para dar um tom diferente e mais animado à competição.

Tivesse o assunto ficado reduzido a águias e dragões - já que os leões, este ano, subscreveram campanha para esquecer - a rivalidade poderia muito bem ter descambado ainda mais para o disparate, palavra ligeira que o conceito de intolerância (e suas consequências) sem dúvida melhor ilustra.

Por isso, insisto, é que a Oliveirense merece destaque. A equipa de Oliveira de Azeméis, que, desde há algum tempo, carrega o ónus da suspeição, já que é o emblema do demissionário homem da Liga, Hermínio Loureiro, realizou, esta época, trabalho de muito mérito.

Na Liga de Honra, a formação de Pedro Miguel começou tímida, tal como no ano anterior. Depois, porém, ganhou confiança e foi um aviar de freguesia que, a dado trecho, lhe permitiu passar a fazer parte do restrito grupo dos candidatos à subida.

Quis o destino que o calendário lhe reservasse para o seu terreno o jogo decisivo. Claro que havia ainda o Feirense a intrometer-se na luta, mas isso seriam contas a fazer só no final. A questão primeira chamava-se Portimonense e a necessidade imperiosa de o derrotar. Foram, no entanto, os visitantes a sair vencedores, arrumando assim a questão.

Como se constatou também no fim, e só mesmo no fim, a Oliveirense, mesmo ganhando, nunca subiria. Contudo, o desaire, esse, independentemente das implicações classificativas, poderia ter toldado os ânimos e provocado estragos, quanto mais não fosse pela frustração resultante de um esforço, afinal inglório.

Mas não foi isso que aconteceu. E foi bonito ver como jogadores e público da casa, com seus sonhos desfeitos, souberam assistir com "fair play" à festa dos algarvios, logo ali no "Carlos Osório", seu próprio recinto. Sem complexos nem provincianismos bacocos.

Opinião