13-11-2011 18:35

EUROPEU CADA VEZ MAIS PERTO

Superioridade portuguesa confirmou-se no terreno.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Ninguém desconhece que um mau piso joga sempre a favor dos inimigos da boa técnica. Por isso, temia-se a influência perniciosa que, para nós, poderia constituir a "horta" bósnia, no desenrolar deste encontro cumprido em Zenica. Mas a selecção portuguesa respondeu com brio às provocações, arrancando uma exibição firme, nem sempre perfeita como se compreende, mas convincente q.b. para chamar a si, desde o início, o controlo do jogo.

Para isso, Paulo Bento contou com uma defesa, que, se não era de betão, não andou longe disso, já que Pepe e Bruno Alves, no eixo, foram inexcedíveis, quer na hora da antecipação e subtileza, quer na de despacho e sem cerimónia, dependendo das circunstâncias de jogo. E porque a Bósnia nunca se aventurou por aí além nas acções ofensivas, a missão de maior perigo estava confiada apenas ao grande Dzeko, tornado assim alvo fácil da capacidade predadora daquela dupla.

Acresce que o meio-campo português teve, globalmente, uma postura muito positiva, ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos. Quer aqui, quer nos respectivos clubes, com Moutinho a revelar aquela condição de recuperador que tanto o caracteriza e Meireles, como assistente/finalizador, a evidenciar os seus dotes que lhe têm valido alguns golos decisivos (vide Bósnia-1ª edição).

Também Miguel Veloso, para lá da produção registada, surpreendeu pelo rigor posicional exibido, fruto da escola italiana de que é intérprete, provando que, depois daquelas discussões leoninas àcerca de lateral ou médio esquerdo, ainda pode servir para outros lugares, assim o técnico o entenda.

Na frente é que as coisas não foram tão categóricas. Ronaldo foi objecto de cerrada marcação por parte de Zahirovic e, embora tenha mostrado a espaços a sua real categoria, ficou aquém daquilo que sabe e pode. Já Nani foi uma sombra, tal como Postiga, que teve uma ocasião soberana para marcar e falhou. Também Ronaldo esteve perto do golo (após passe de Nani, na sua melhor intervenção do jogo), mas o estado do terreno, traindo-o, serve-lhe de atenuante.

No que toca a desperdício, pode dizer-se que houve justiça, uma vez que a Bósnia também desperdiçou, por Ibisevic, grande ensejo, por má condição do terreno. Isso, numa altura em que o técnico Susic se tinha já abalançado a outros voos, reforçando o seu sector mais adiantado. O resultado das duas alterações efectuadas teve efeitos imediatos, com a equipa da casa a rematar finalmente à baliza do até aí muito tranquilo Rui Patrício.

Foi o período de maior inconformismo da Bósnia, muito curto de resto, se comparado com a larga fatia de supremacia portuguesa. Como se costuma dizer nestas coisas, "a haver um vencedor teria de ser Portugal". Não houve e agora resta aguardar pelo jogo de 3ª feira, na Luz, sem esquecer que, apesar do nosso favoritismo, eles não são tão maus quanto isso e não sofreram qualquer golo em casa...

Opinião