13-11-2011 20:25

O TERRENO E O PROTESTO

Batatal de Zenica não deu para grandes colheitas.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Como já se adivinhava, Portugal impôs-se à Bósnia, mesmo no incrível recinto que os anfitriões disponibilizaram e a UEFA aceitou. E se é certo que a FPF manifestou, desde o início, o seu desagrado pelas péssimas condições do terreno, bem conhecidas desde o jogo ali disputado há dois anos, não deixa de ser verdade que durou uma eternidade a apresentar oficialmente o respectivo protesto.

Segundo os jornais que ao assunto dedicaram espaço, só na tarde do dia do jogo é que o fez, quando a transferência da partida para outro local era já de todo impossível. Dir-se-ia que a FPF, na pessoa do seu presidente, se dava por satisfeita em juntar ao relatório do árbitro o seu protesto, mesmo sabendo que este não alcançaria qualquer resultado prático. Como se se tratasse de um mero expediente burocrático e não de uma reivindicação visando efeitos palpáveis.

Não se percebe, de facto, esta passividade da FPF em não assumir, logo que teve conhecimento do adversário que o sorteio lhe destinara, uma posição de força, de forma a acautelar os nossos interesses, evitando um crime de lesa-futebol de consequências imprevisíveis. Como seria e o que se teria dito se o resultado tivesse sido outro e mais penalizador?

Também a França tinha passado pelo mesmo, há bem pouco, aquando do jogo de qualificação para este mesmo "Europeu". E, na altura, o veemente protesto da federação francesa obrigou à mudança para Sarajevo do palco de jogo já marcado para Zenica. Com um antecedente tão forte e tão recente, certamente que o protesto português de agora teria tido total acolhimento junto da UEFA, pois não faria sentido uma deliberação contrária num caso em tudo semelhante.

E lembrarmo-nos que, em 1965, ainda sem a experiência que hoje norteia o mais alto representante federativo, os responsáveis portugueses, pelas mesmíssimas razões, souberam fazer valer o seu ponto de vista, desviando para Ankara um jogo frente à Turquia, inicialmente aprazado para Istambul.

Valeu que, desta vez, o inconcebível (e inevitável) terreno, a que os bósnios manhosos juntaram o truque da rega, não chegou para operar surpresas. Mas é sempre bons estarmos atentos. E, de preferência, actuantes!

Opinião